Foi lançado em Pelotas, com solenidade ocorrida no saguão de entrada da Prefeitura o livro Restauração, Democracia, Preservação e Memória. A obra da Universidade Federal de Pelotas e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) conta em quase 300 páginas de fotos e textos, como ocorreu o restauro de 20 das peças danificadas durante as manifestações ocorridas em 8 de janeiro de 2023, que estavam no Palácio do Planalto, em Brasília
No local, na sala Frederico Trebbi também foi aberta a exposição "8 de Janeiro; Restauração e Democracia". A mostra marca o início do ciclo de eventos promovido pela Universidade e também apresenta o trabalho de restauração das obras vandalizadas. Com registros fotográficos, textos e materiais produzidos por pesquisadores e estudantes, a exposição convida à reflexão sobre memória, resistência e democracia.
Para a Coordenadora do Laboratório Aberto de Conservação e Restauração de Pintura (Lacorpi-UFPel). Andréa Bachettini este é o momento de mostrar para os gaúchos o potencial da instituição para a própria cidade. "A exposição esteve em Brasília, e agora chegou a Pelotas. Após a mostra deve ir para Porto Alegre. A ideia é uma exposição itinerante que deve percorrer o Estado", projeta.
Ela conta que o processo de restauração durou dez meses e o projeto tem um ano e seis meses. " Começamos em agosto de 2023, a organizar a parte burocrática de como o projeto seria desenvolvido em Brasília. O início da restauração propriamente dita foi em 2 de janeiro de 2024 e concluímos no dia 30 de outubro do mesmo ano", afirma. Andréa conta que após este prazo o grupo ficou aguardando o livro ficar pronto, o documentário, uma série de entrega de relatório das obras. No último dia 8 de janeiro foi realizada a entrega oficial das peças, em cerimônia no Palácio do Planalto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Algumas não foram restauradas para ficarem como registro histórico do ato. Elas estão em exposição danificada. O livro é distribuído nos lançamentos e a ideia é que o IPHAN realize uma nova tiragem", observa.
Para a reitora da universidade, Úrsula Silva é um grande orgulho a equipe do curso de Conservação e Restauro ser convidada para realizar o trabalho. "Para nós tem um simbolismo também muito forte para além da questão técnica, tem todo o envolvimento, nosso enquanto universidade, conhecimento, ciência de poder dar essa resposta, mostrar para a sociedade, a importância das obras de arte, da cultura" observa. Para ela devolver essas obras restauradas num simbolismo também de restauro da própria democracia e da valorização da cultura como algo expressivo da nossa sociedade, "Uma obra de arte tem que ser entendida também como uma expressão do nosso conhecimento e da nossa cultura. Para nós é um grande orgulho podemos ter trabalhado não só no restauro como em todas as ações em paralelo", observa. Úrsula conta que em Brasília também foi realizado um trabalho de educação patrimonial nas escolas . "No dia da entrega das obras tinha lá as professoras que fizeram trabalho com as escolas e crianças que com uma maquete e uma miniaturinha das ânforas. É muito emocionante pra gente ver que tem todo um trabalho vinculado, com a questão da ressurreição da obra, mas também dessa quantia de conscientização da importância da educação patrimonial", destaca. A mostra pode ser visitada de forma gratuita na prefeitura até o próximo dia 27 de junho de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.