Cidades

Meeting Jurídico da Federasul aponta insegurança jurídica com projeto de reforma do Código Civil Brasileiro

Roda de conversa entre especialistas na área do Direito destacou impactos da mudança para empresas e para a esfera pública

Professora Judith Martins Costa, da USP, abriu debates sobre a reforma do Código Civil Brasileiro no Meeting Jurídico da Federasul
Professora Judith Martins Costa, da USP, abriu debates sobre a reforma do Código Civil Brasileiro no Meeting Jurídico da Federasul Foto : Pedro Piegas

A primeira edição de 2025 do Meeting Jurídico promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul) apresentou um debate sobre a proposta vigente para uma reforma do Código Civil Brasileiro e seus reflexos para as relações sociais e econômicas no país. A roda de conversa entre especialistas na área do Direito destacou impactos da mudança para empresas e para a esfera pública, além de salientar a insegurança jurídica que a reforma trará.

O projeto para alterações no Código Civil está tramitando no Congresso Nacional desde o início do ano. Uma das palestrantes no Meeting Jurídico foi a advogada e livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), Judith Martins Costa, que apontou a maneira surpreendente ágil na qual o material foi redigida. Além disso, ela citou a mudança como desnecessária, tendo em vista que o código atual possui pouco mais de 20 anos, e que existem “incontáveis erros técnicos”.

“Isso não é reforma, pois cerca de 70% do código foi alterado. Também não foram feitos estudos socioeconômicos dos impactos dessa mudança em empresas e governos. Ele teve um rito com falta de estudos, falta de preparação. São mudanças na filosofia do código, na forma de aplicar o direito, que vai ficar muito mais inseguro e dependente do que o juiz decidir. O processo de construção desse novo código ocorreu em cerca de oito meses. Isso trará um reflexo enorme na aplicação do direito, com consequências graves”, afirmou.

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Para o coordenador da Divisão Jurídica da Federasul, Fabiano Zouvi, não houve a necessária discussão com a sociedade para a construção do projeto de reforma do código. “Estamos pedindo que a tramitação seja prorrogada e que o projeto seja melhor discutido. Estamos bastante receosos com essas mudanças, pois o código tem vários dispositivos que podem prejudicar o convívio social em diversas áreas. Precisamos dar um passo bem dado, com uma melhor reflexão sobre o assunto”, completou.

Outros palestrantes do Meeting Jurídico foram o professor de Direito Empresarial da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Gerson Branco, e o advogado Guilherme Nietzchke. A roda de conversa entre os especialistas na área do Direito ainda teve a mediação de Ana Paula Ávila e Ana Amélia Abreu.
“O anteprojeto traz muita insegurança jurídica ao alterar em demasia as regras do direito empresarial. Foi um projeto feito de modo acelerado e por uma comissão sem uma coordenação intelectual uniforme”, falou Branco. “O que me preocupa muito é que é um projeto de lei que, anunciadamente, querem aprovar a toque de caixa e que parece tramitar em silêncio de forma proposital, justamente para ter a oportunidade de avaliar e contraditar todos os impactos econômicos que ele vai gerar”, acrescentou Nietzchke.