Cidades

Moradora do bairro Picada, em Eldorado do Sul, vive expectativa da saída após sofrimento com enchentes

Área próxima ao histórico Cemitério São Pedro, na Ilha da Pintada, foi bastante afetada pelas águas

Maria Nadir, no bairro Picada, conta morar há 40 anos no local
Maria Nadir, no bairro Picada, conta morar há 40 anos no local Foto : Mauro Schaefer

A pensionista Maria Nadir Azevedo da Silva é uma das poucas moradoras restantes no final da avenida Martinho Poeta, bairro Picada, em Eldorado do Sul, na região metropolitana, próximo do Cemitério São Pedro, histórico na área. A área, bastante conflagrada pelas enchentes de 2023 e 2024, atualmente vive um período de tranquilidade, mas as lembranças dela e outros habitantes do período do caos permanecem.

Ela, que mora nesta área há 40 anos, e é de família de pescadores, como muitos habitantes locais, mas não pesca, contou que saiu da área no começo de maio do ano passado, retornando somente em agosto. Quando voltou, o excesso de barro trouxe também o sentimento de frustração, e precisou ser removido por completo antes que ela pudesse retornar plenamente. Porém sua casa, ao contrário de outras da mesma via, permaneceu de pé, ainda que, depois do seu retorno, não foi reformada, e talvez não deva ser, disse a moradora, por uma possível contemplação no programa Compra Assistida.

“Se eu ganhar (o benefício), quero permanecer aqui pela região, provavelmente em Guaíba”, comentou Maria. A pensionista vive com um filho, que retornou para a casa da mãe depois de uma separação, disse ainda ela. Ainda durante as enchentes, árvores frutíferas em seu pátio morreram, e nunca mais deram frutos novamente. “Quero permanecer aqui também porque parte de minha família está sepultada aí”, acrescentou ela, apontando para o cemitério, citando avós e bisavós.

Também a área sofre com a insegurança. “Antes tinha mais gente, agora a coisa está feia, principalmente à noite. Acho que a água pode subir ainda mais em breve, então estou preocupada”. Neste e em outros pontos de Eldorado do Sul, segundo a Prefeitura e autoridades, obras seguem acontecendo, ainda em decorrência do rescaldo das inundações, com a expectativa dos habitantes para os trabalhos de construção do dique e demais contenções.

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