Cidades

Moradores de Alvorada ainda são desafiados pelas águas

Ruas de diferentes bairros da cidade permanecem alagadas. De acordo com a Defesa Civil, 1.037 casas foram atingidas e 214 pessoas estão na residência de parentes e amigos

As águas ainda cobrem ruas do bairro América em Alvorada. Moradores colocam aterro para evitar mais alagamentos.
As águas ainda cobrem ruas do bairro América em Alvorada. Moradores colocam aterro para evitar mais alagamentos. Foto : Maria Eduarda Fortes

Sandra e seu pai, João Cardoso, aproveitaram o bom tempo desta sexta-feira para continuar o trabalho de reforçar o aterro em frente à sua residência, localizada na rua Anita Garibaldi, no bairro América, em Alvorada.

Cardoso contou que já colocaram mais de trinta metros de aterro na residência e essa é a única forma para “cuidar do pouco que se tem”. Ele mora no bairro há mais de 50 anos e afirmou que não viu nenhuma melhora significativa. 
 
Ele reside a poucos metros da casa da filha e contou que mesmo depois de levantar a sua casa, por causa da enchente de 2015, a água da recente inundação ainda conseguiu alcançar o primeiro dos cinco degraus em sua entrada.

A falta de luz por 15 dias também foi relatada por Sandra que contou da dificuldade de se manter em casa sem energia elétrica. " A luz voltou na terça-feira. Conseguimos uma bateria para ter uma luz. Mas o banho era de caneca”, contou. 

A situação problemática do bairro Americano é ressaltada por Cláudio Silva dos Santos, morador de Alvorada há 52 anos. Ele acredita que a situação piorou ao longo dos anos, citando o crescimento da cidade e a construção de novos empreendimentos como fatores contribuintes. 

“A tendência é piorar e está piorando cada vez mais. EM 2015 a situação foi bem complicada, mas desta  vez a água subiu aos poucos só que ela não está dando baixa”, afirmou.

Ele argumenta que elevar as casas não é viável devido à geografia da área, sendo uma bacia de água. Ele acredita que a solução ideal seria realocar os moradores para áreas mais elevadas.

Equipes da Assistência Social do município estão trabalhando na rua Itararé, no bairro Americana, cadastrando moradores afetados pelas enchentes. A coordenadora da Proteção Social Básica, Tanara Benites, explicou que esse registro é importante para planejar ações específicas para atender às necessidades das famílias afetadas pela inundação.

 “Para a assistência conhecer o perfil dessas famílias que foram atingidas e trabalhar com as necessidades específicas desse território, dessa região, a gente precisa fazer esse levantamento”, explicou. 

Tanara informou que inicialmente esse trabalho estava sendo realizado de casa em casa, mas com a subida das águas foram colocados pontos de cadastro e as pessoas estão indo até os locais.  O outro ponto de cadastro é no CRAS Nova Americana.

De acordo com a Defesa Civil de Alvorada, os bairros mais atingidos pela enchente foram 11 de Abril, Americana, Nova Americana, Sumaré e Cedro. Nos últimos dados declarados pelo órgão 1.037 casas foram atingidas, 214 pessoas estão na residência de parentes e amigos e 12 pessoas estão no CRAS Cedro.