Cidades

Moradores reclamam da falta de ponte que desabou nas enchentes de 2024 entre Porto Alegre e Alvorada

Estrutura foi reconstruída com recursos dos habitantes, mas também ruiu meses depois

Moradores de parte do bairro Rubem Berta esperam pela reconstrução da travessia sobre o Arroio Feijó
Moradores de parte do bairro Rubem Berta esperam pela reconstrução da travessia sobre o Arroio Feijó Foto : Camila Cunha

Uma ponte caída desde as enchentes de maio de 2024 causa transtornos a moradores na Vila Alexandrina, na divisa de Porto Alegre com Alvorada, na região metropolitana. Localizada na rua 13 de Setembro, no bairro Rubem Berta, na Capital, a passagem sobre o Arroio Feijó, que ficou mais largo depois das tormentas históricas, não conta com nenhum tipo de bloqueio, representando um perigo permanente principalmente à noite, pela falta de iluminação na área.

No lugar da ponte, criou-se um penhasco com cerca de três metros de profundidade de cada lado, e sem ela, o caminho até o outro lado a partir de Alvorada é feito por uma estrada não iluminada e repleta de buracos, levando cerca de 30 minutos a mais. Depois das tormentas históricas e diante do que definem como inércia do poder público, os habitantes até tentaram reconstruí-la com recursos próprios, arrecadando cerca de R$ 5 mil, disse a cuidadora Maria Neli da Silva, 70 anos, que afirma morar há 50 no local, mas esta estrutura também ruiu em fevereiro deste ano, depois de ser atingida por um sofá deixado por moradores no curso d’água.

Atualmente, o único acesso entre os dois lados é feito caminhando por tábuas soltas e improvisadas acima da água, e não há corrimão, somente um bambu escorado. Para subir o barranco, escadas também foram construídas de maneira provisória. O arroio é revolto e crianças já caíram na água contaminada. O lixo e raízes acumulados formaram uma verdadeira montanha de entulhos. “As crianças têm dificuldade de ir até o colégio do outro lado, e daqui a alguns dias, vão começar as aulas. E também está desbarrancando ainda mais, então as casas aqui ao lado do arroio estão em risco, perto de desabar”, disse Maria.

“A gente está esquecido, acho que por ser um lugar de poucas pessoas”, acrescentou o marceneiro Elvis Danilo Corrêa Silva, que tem um filho que precisa utilizar o trajeto diariamente no caminho do colégio. Os habitantes também comentam que representantes das prefeituras de Porto Alegre e Alvorada estiveram na área, prometeram soluções, porém, até agora, nada foi feito. Apesar de a Prefeitura de Porto Alegre indicar a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) para uma resposta, o secretário de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores, disse conhecer a situação.

“Esta foi uma ponte feita por particulares e não havia nenhum conceito de critérios e normas de engenharia. A competência para fazer ligações municipais é da Metroplan. Recebemos esta demanda e estamos encaminhando para eles, para que possam fazer o estudo, se ali é viável (uma nova ponte) e necessário. Uma ponte, para ser construída, precisa prever um aumento de fluxo. Imagine se houvesse caído com um ônibus escolar em cima ou outro transporte”, comentou Flores.

A SMSUrb também se manifestou. A secretaria disse, em nota, que a previsão de execução é para o começo de novembro, com investimento de R$ 150 mil. Técnicos da secretaria trabalham na elaboração do projeto. Já a Prefeitura de Alvorada disse, também em nota, que trabalha “de forma integrada com a SMSUrb de Porto Alegre para reconstrução da travessia”, e que “ficou estabelecida uma cooperação entre as administrações, com divisão clara de responsabilidades”.

Alvorada ficará responsável pela mão de obra e maquinário, enquanto Porto Alegre fornecerá a ponte metálica pré-montada e a estrutura de apoio necessária à instalação. “Assim que o projeto for concluído e aprovado, os dois municípios iniciarão as obras de forma coordenada, garantindo segurança e qualidade à nova passagem”, afirmou a prefeitura alvoradense. A Metroplan disse que a obra não é competência do órgão.

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Leia a nota completa da Prefeitura de Alvorada

A Secretaria de Obras Públicas e Serviços Urbanos de Alvorada informa que está atuando de forma integrada com a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Porto Alegre para reconstrução da travessia sobre o Arroio Feijó, localizada ao final da Rua Treze de Setembro, no bairro Rubem Berta — área limítrofe entre os dois municípios.

Ficou estabelecida uma cooperação entre as administrações, com divisão clara de responsabilidades: Alvorada será responsável pela mão de obra e maquinário; Porto Alegre fornecerá a ponte metálica pré-montada e executará a estrutura de apoio necessária à instalação.

Neste momento, a equipe técnica de Porto Alegre elabora o projeto estrutural da nova travessia. Assim que o projeto for concluído e aprovado, os dois municípios iniciarão as obras de forma coordenada, garantindo segurança e qualidade à nova passagem.

A previsão de início e conclusão das obras, assim como do custo total da intervenção, será divulgada após a finalização do projeto. A prioridade das gestões é entregar uma solução definitiva para restabelecer a mobilidade na região, afetada pelas chuvas que comprometeram a antiga estrutura.

Leia a nota completa da SMSUrb de Porto Alegre

Sobre a reconstrução da travessia sobre o Arroio Feijó localizada no final da Rua Treze de Setembro, no bairro Rubem Berta, limite com o município de Alvorada, a Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSurb) informa que está atuando de forma integrada com a Prefeitura de Alvorada.será responsável pela mão de obra e maquinário e a SMSUrb, com a elaboração do projeto, execução das fundações e colocação da estrutura metálica.

Neste momento, técnicos da SMSUrb trabalham na elaboração do projeto. Assim que concluído e aprovado, serão iniciadas as obras. A previsão é início de novembro e o investimento pela Prefeitura de Porto Alegre será de R$ 150 mil.