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Pelotas lança Plano de Resiliência Climática

Projeto sintetiza ações de recuperação arbórea e cuidados com recursos hídricos

Segundo Secretário Municipal de Qualidade Ambiental, Márcio Souza, a segunda parte do projeto deve ser apresentada até março de 2026
Segundo Secretário Municipal de Qualidade Ambiental, Márcio Souza, a segunda parte do projeto deve ser apresentada até março de 2026 Foto : Volmer Perez / Prefeitura de Pelotas / CP

A Prefeitura de Pelotas lançou o Plano de Resiliência Climática do município. O projeto é das secretarias de Planejamento e Gestão e de Qualidade Ambiental. O lançamento ocorreu durante a abertura da segunda fase da programação da Conferência Sul sobre Mudanças Climáticas (Copsul), que ocorreu no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul).

"O Plano de Resiliência Climática de Pelotas é o primeiro documento municipal pensado com base em diagnóstico técnico, evidências científicas e, sobretudo, escuta comunitária", afirmou o prefeito Fernando Marroni. O documento reúne riscos, vulnerabilidades, estratégias e ações de curto, médio e longo prazo, integrando diversas áreas da administração.

O plano foi criado após dez meses de estudos que envolveram voluntários do IFSul, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), entre professores, pesquisadores e estudantes. Ele prevê principalmente a recuperação arbórea e os cuidados com recursos hídricos. Conforme o Secretário Municipal de Qualidade Ambiental, Márcio Souza, o plano consiste em produzir um cinturão verde no limite das áreas rural e urbana, onde há inúmeras propriedades públicas e privadas. A parte operacional do projeto deve começar em janeiro, sendo intensificada entre abril e outubro de 2026.

O plano orienta o município a trabalhar com créditos de carbono pra médio e longo prazo e transformá-lo em serviços ambientais. O proprietário do terreno onde passará o cinturão será remunerado, não apenas para conservar o projeto, mas para expandi-lo. "Primeiro, iremos criar uma operação de venda de crédito de carbono para depois definir os valores que serão utilizados para remunerar a conservação, tanto das nascentes como da arborização", explica Souza.

O Plano de Resiliência tem como foco a área rural integrada à área urbana. Na colônia, estão a maioria das nascentes do território. A Prefeitura e a Emater, mapearam as áreas dos mananciais para recuperar o adensamento arbóreo do entorno e também da mata ciliar dos principais recursos hídricos de Pelotas. A medida garante uma melhor qualidade na água para consumo, com menos tratamento químico.

"Faremos isto pois diminui o assoreamento, trazendo um calado maior para os rios. Isso faz com que haja uma diminuição da velocidade que as águas transitam. Com isto, teremos mais água no verão e menos cheias no inverno", exemplifica.

Na área urbana, devem ser construídos corredores ecológicos nas principais ruas, em direção, primeiramente, aos parques e praças, com o plantio de espécies nativas e frutíferas para ampliar o número de vegetais por habitante. Atualmente há 3,5 espécies por pessoa, o que é bem abaixo do recomendado por cientistas e organismos internacionais que é entre 12 e 15, para se chegar a uma condição adequada.

Após chegarem a praças e parques, a ideia é irem até os bairros, cujas populações, predominantemente, se enquadram em situação de vulnerabilidade. "A ideia é que, em uma década, se possa dobrar a cobertura vegetal na zona urbana, o que vai ajudar a diminuir a temperatura da cidade em até dois graus e melhorar a qualidade da água", observa Souza.

Para chegar aos objetivos propostos, o município negocia com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que é responsável pela duplicação da BR 116 entre Pelotas e Guaíba, a plantação de 250 mil mudas na cidade. O executivo municipal também recorre a compromissos ambientais previsto em lei para que empreendimentos que movimentam o solo e subtraem vegetais devolvam até cinco vegetais não naturais e outros 15 de espécies nativas. "A ideia é buscar mais 500 mil mudas e chegar a 750 mil até o fim de 2028", projeta.

Ainda de acordo com o secretário, a segunda parte do Plano está em construção e visa a mudança da matriz energética da cidade com a troca fontes de energia poluentes por limpas. "Queremos apresentar esta etapa até março de 2026", concluiu Souza.

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