A maneira como o governo do Estado, as prefeituras e o agronegócio estão se preparando para os efeitos da chegada do fenômeno El Niño foi tema de discussão da tradicional reunião Tá Na Mesa, da Federasul, nesta quarta-feira. O evento contou com a presença do presidente da Brasoja, Antonio Sartori; do secretário estadual da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, e do prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas (FNP), Sebastião Melo.
Em sua fala, Capeluppi destacou que o Estado tem se preparado para lidar com as mudanças climáticas que se intensificam nos últimos anos, com a quadruplicação do tamanho da Defesa Civil, a recuperação dos sistemas de proteção e a retirada da população de áreas de risco. "Temos, hoje, sistemas de monitoramento capazes de nos dar com antecedência informações relevantes para saber atuar no momento de algum evento climático mais extremo, seja um vendaval, seja uma chuva mais forte e o El Niño, que pode nos atingir de maneiras diferentes".
"Não sabemos ainda qual vai ser o impacto, mas o importante é que, independente do que aconteça, o Estado tem uma força de segurança a Defesa Civil bem estruturada, e equipamentos que nos colocam, hoje, em uma situação muito diferente da que tínhamos dois anos atrás", complementou.
O prefeito Sebastião Melo ressaltou que a proteção da cheia de uma cidade envolve uma bacia hidrográfica e, portanto, a competência é compartilhada, e que as obras que estão sendo feitas hoje foram projetadas antes das projeções do fenômeno. “Nenhuma dessas obras estão sendo feitas em razão do El Niño. Nós estamos apenas acelerando o processo”, disse.
Melo também salientou que as principais obras que estão sendo priorizadas na Capital. Entre elas, as intervenções para a zona Norte, para o sistema de proteção para a região dos pôlderes 7 e 8, visando proteger a região do Aeroporto Salgado Filho. Trata-se do fechamento das galerias do arroio Areia, que leva a água da chuva para o rio Gravataí, com o volume sendo represado na área alagável. Ele lembrou que a obra faz parte das intervenções na bacia do Gravataí, que está no Firece, sob responsabilidade do governo estadual. Porém, por ser complexa e envolver o reassentamento de milhares de famílias, terá uma parte emergencial.
"Com a evolução do El Niño, sabendo que a gestão de obra de proteção não é uma coisa singela. Levei ao governador essa preocupação, e ele compreendeu de nós fazermos uma obra emergencial com o dinheiro do Funrigs. Visitamos os órgãos de controle para saber dessa decisão e nós estamos lançando a licitação desse processo ainda nos próximos dias", disse.
O prefeito ainda destacou outras ações, como a conclusão de obras em 11 das comportas, e o contrato assinado para obras em mais quatro casas de bombas. Ao total, são R$ 2,3 bilhões dedicados para proteção de cheias, mas nem todo o valor foi executado ainda. Apesar de Melo ressaltar o andamento do pré-projeto para obras nos bairros Guarujá e Serraria, com investimento de R$ 300 milhões, para a zona sul, a solução para possíveis alagamentos ainda são os sacos de areia, nomeado por Melo como "bags".
Dificuldades para o agricultor
Considerando que o El Niño se desenvolve na costa do Oceano Pacífico no Peru, Sartori relatou que a empresa está se baseando nos prognósticos do governo do Peru. De acordo com ele, a perspectiva é de que atinja 40%, e de dure, no máximo 3 meses. “Existe preocupação com o El Niño forte? Sim, existe. Mas só vai se saber no mínimo em junho ou julho”.
Ele também pontuou que o agricultor vem passando por dificuldades por conta do excesso de chuva, mas também da estiagem, somando-se aos preços baixos para a venda dos produtos, e a ausência do governo na solução. "O agro, se depender do governo, está morto. O produtor que acha que a solução dele é governo, está perdendo tempo. Ele tem que resolver com os seus próprios meios", disse.