O Memorial do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) recebeu, na manhã de sábado (13), a visita do projeto Lanceirinhos Negros, parte do Projeto Cultural Nossa Identidade, promovido pelo Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomodê. O grupo, formado por cerca de 30 crianças caracterizadas como lanceiros, participou de uma visita guiada à exposição Lanceiros Negros, aberta em junho como parte das comemorações dos 90 anos do TCE.
“Foi um momento bem importante para o nosso projeto, pelo motivo de as crianças poderem ver que existem outras iniciativas que valorizam a história dos Lanceiros Negros. Isso reforça a legitimidade de tudo que contamos para eles na preparação para essa atividade”, conta Edjana Deodoro, uma das coordenadoras do grupo.
O projeto já integra a mostra de forma simbólica, com uma foto e uma das roupinhas utilizadas pelas crianças durante atividades culturais realizadas na Semana Farroupilha. Para a responsável pelo Memorial do TCE, Janaina Castold, a presença dos Lanceirinhos reforça o propósito educativo da iniciativa. “A exposição busca atualizar a história, valorizando a representatividade dos lanceiros, que em sua maioria eram combatentes negros. Ao trazer as crianças para dentro desse espaço, reafirmamos o protagonismo da cultura negra na formação da identidade gaúcha”, destacou.
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A exposição apresenta uma releitura da obra Carga Farrapa, do artista e ex-conselheiro do TCU Guido Mondin, que retratava apenas lanceiros brancos. A pedido do TCE-RS, a artista negra Pamela Zorn recriou a cena, trazendo os personagens com traços condizentes com a realidade histórica. “Pamela trouxe também o simbolismo do vermelho, presente em sua produção, como uma marca do desconforto que vivenciou desde a infância diante do racismo, e que agora dialoga com a memória de luta dos lanceiros”, explicou Janaina.
Com curadoria de Izis Abreu e assistência de Aisha Costa, a mostra reúne ainda documentos históricos, obras de arte, fotografias e registros culturais sobre os lanceiros. Parte dos acervos foi pesquisada em instituições e arquivos públicos do Estado, destacando tanto as evidências já conhecidas como as lacunas ainda existentes sobre esses combatentes que não tiveram suas histórias registradas com a mesma notoriedade dos líderes brancos da Revolução Farroupilha.
Durante a visita, os pequenos foram apresentados à obra que simboliza os lanceiros negros. Depois, também foram levados ao Memorial. Aberta em junho, a exposição segue até 15 de dezembro no Palácio Flores da Cunha, sede do TCE-RS, em Porto Alegre. A visitação é gratuita e pode ser realizada de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h.