O secretário chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, disse nesta terça-feira que, ao final do contrato de cinco anos entre o governo do Estado e a empresa Climatempo, vencedora de licitação, o radar meteorológico instalado no Morro da Polícia, em Porto Alegre, será doado ao órgão público, e portanto permanecerá atuando sem alterações.
O equipamento, instalado em agosto do ano passado, divulga imagens da condição do clima em um raio de 150 quilômetros de seu local de instalação. Inicialmente, ele seria instalado no alto do Morro São João, em Montenegro, no Vale do Caí, mas, devido a um acidente, ele mudou de lugar. A resposta veio após um questionamento se ele seria desativado após o período contratualizado.
“A empresa não tem interesse em ficar com o radar ao final do contrato. A Climatempo já conversou conosco”, salientou Boeira. “Tivemos um case de sucesso com esta contratação. O que o radar está entregando nos dá uma segurança para a emissão de avisos e alertas”, acrescentou. Em um café da manhã com a imprensa na manhã desta terça-feira, também foi divulgada uma mudança na divulgação de informações sobre eventos extremos pelo órgão no Rio Grande do Sul.
Já outros três radares a serem adquiridos, para os municípios de Manoel Viana, Soledade e Pelotas, tiveram a contratação impugnada. “Submetemos este projeto novamente para apreciação do comitê científico, para que logo adiante consigamos marcar uma nova data e, se precisar, fazer uma eventual correção. Não podemos mais passar pelo que passamos, é um investimento alto”, disse ele.
A Defesa Civil Estadual apresenta os novos protocolos de comunicação de risco
Diante do questionamento sobre o radar já instalado apresentar uma imagem estática, apesar de outros aplicativos exibirem animações, entre outros recursos, Boeira destacou que esta é uma “primeira entrega”. “Não podemos ter a informação e deixar de disponibilizar para as pessoas. Neste momento sabemos que entre o ideal e o possível existe uma distância, mas continuamos trabalhando para que a gente consiga refinar e aprimorar aquela primeira entrega que fizemos. Seguimos trabalhando para que, junto com nossa equipe, possamos melhorar aquelas imagens e consigamos chegar em um ponto que atenda a expectativa das pessoas que eventualmente acessem nosso site para vê-las”, destacou o coordenador.
Os integrantes do órgão também salientaram os R$ 259 milhões destinados do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) à Casa Militar. Ao todo, o Funrigs terá R$ 14,3 bilhões até maio de 2027, além da reestruturação da própria Defesa Civil Estadual, com mais 102 cargos de militares para compor o órgão e 47 técnicos em diversas áreas, como engenheiros, hidrólogos, meteorologistas e geólogos.
Até 31 de dezembro de 2024, Boeira disse que havia apenas cerca de 40 profissionais ao todo. Outra questão são as coordenadorias municipais de Proteção e Defesa Civil, cujos projetos de reestruturação estão sendo trabalhadas pelo órgão estadual, por meio de uma capacitação em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e a Famurs.
O objetivo, segundo Boeira, é finalizar as capacitações de todas as 497 cidades gaúchas até o final de junho. Hoje, há mais de 400 planos de contingência cadastrados junto à Defesa Civil Estadual, sendo que antes das enchentes de 2023 e 2024, eram em torno de 60. Em setembro de 2023, depois do primeiro desastre no Vale do Taquari, haviam sido repassados R$ 127 milhões da transferência de recursos aos municípios via sistema fundo a fundo, número que aumentou para R$ 321 milhões em ações emergenciais após 2024.