Cidades

Recuo no nível do Guaíba modifica cenário nas orlas de Ipanema e Guarujá

Régua instalada na Usina do Gasômetro voltou a registrar menor nível desde janeiro, com o Guaíba medindo 1,07 metro na manhã desta sexta-feira

Seca do Guaíba fez emergir uma grande faixa de areia na praia de Ipanema
Seca do Guaíba fez emergir uma grande faixa de areia na praia de Ipanema Foto : Pedro Piegas

Além das obras de revitalização, quem passeia pela Orla de Ipanema tem notado uma mudança drástica no cenário da tradicional praia. Além da construção da mureta junto à calçada e de movimentações no solo, um grande banco de areia emergiu com o recuo do nível do Guaíba, que mediu 1,07 metro na manhã desta sexta-feira na régua instalada na Usina do Gasômetro, igualando a marca registrada em janeiro desde ano, a menor de 2025.

Em Ipanema, distância entre o calçadão e o final do banco de areia, localizado nas proximidades de uma passarela de madeira e da foz do arroio Capivara, é de praticamente um campo de futebol. O local tornou-se abrigo de aves e também chama a atenção pela quantidade de lixo, como garrafas pet, restos de móveis e até pneus.

Em alguns pontos, há acúmulo de água no banco de areia, formando pequenas piscinas. O relato de alguns moradores do bairro, que não quiseram se identificar, é de que sempre houve recuo da água durante o verão, mas que, em função da grande quantidade de sedimentos em decorrência da enchente de maio de 2024, o banco de areia aparenta ser maior do que o normal neste ano.

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Já na orla do Guarujá o cenário é um pouco diferente, apesar do acúmulo de areia também formar um pequeno banco de areia nas proximidades das quadras esportivas da praça Zeno Simon. Isso porque, segundo a moradora do bairro Guarujá, Sinara Flores, de 58 anos, existia uma prainha no local. Após a enchente, parte da faixa de areia sumiu.

Já com o recuo do nível das águas, o que restou dela apareceu em forma de banco de areia. “Aqui era a nossa prainha, que entrava Guaíba adentro. Depois da enchente, se formaram alguns bancos de areia altos aqui nesse ponto da praça, que foram retirados. Essa faixa de areia é que sobrou da praia”, explicou a moradora.

Os efeitos da falta de chuva no Rio Grande do Sul refletiram, nesta sexta-feira, no menor nível do Guaíba em 2025, com 1,07 metro por volta das 10h. Esta é a segunda vez no ano em que a marca se repete. A primeira foi no dia 17 de janeiro. Na quinta-feira, no mesmo horário, o nível do Guaíba estava em 1,09 metro e, pouco depois, subiu para 1,11 metro.

Como estão os outros rios da região

A estiagem também atinge outros leitos de água na região Metropolitana. De acordo com o boletim do Departamento de Gestão de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS), da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA), enquanto o rio dos Sinos se mantém em condição de atenção, com captação normalizada, o rio Gravataí entrou em situação de alerta.

Desta forma, a captação de água é feita com regime de intermitência, com dois dias com serviço normalizado e um de suspensão até que a condição melhore. Caso a situação piore, a condição pode passar para crítica, quando todas as captações distintas de abastecimento à população serão suspensas.

No rio Gravataí, as medições foram de 1,58 metro em Alvorada, representando uma redução de oito centímetros se comparado ao dia anterior, além de 0,89 metro no Passo dos Negros, em Gravataí, com queda de 10 centímetros, e os mesmos 1,58 metro no Passo das Canoas, também em Gravataí, com redução de oito centímetros se comparado ao dia anterior.

Já no rio dos Sinos, as marcas aferidas foram de 1,87 metro na régua da Corsan, em Campo Bom, com aumento de sete centímetros se comparado com o dia anterior, além de 1,30 metro em São Leopoldo, com redução de 10 centímetros, e 2,39 metros em Novo Hamburgo, com redução de sete centímetros se comparado com o dia anterior.