O 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais discutiu, nesta quinta-feira, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, a revitalização dos centros históricos de capitais como São Luís, no Maranhão, e Manaus, no Amazonas, a partir das experiências individuais das prefeituras locais. O painel “Economia Criativa como Ativo Estratégico: Além da Cultura, a Vitalidade Urbana”, foi mediado por Paula Trujillo, uma das maiores referências globais em economia criativa.
O evento chegou ao segundo dia de palestras, e termina nesta sexta-feira. Ayah Mahgoub, especialista do Banco Mundial, participou por vídeo. De acordo com ela, as indústrias criativas têm seu valor enquanto motor contínuo de desenvolvimento econômico e social, ressaltando a necessidade de combinar serviços, ação do setor privado e ecossistemas criativos para transformar a realidade das cidades.
“As indústrias criativas não são sobre indivíduos isolados, mas sobre trabalhar juntos para realmente capturar o valor, aprender e crescer em conjunto. A economia criativa pode ajudar a impulsionar os benefícios triplos do desenvolvimento espacial e social”, comentou ela. A coordenadora de Economia Criativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos (Smdete), Joana Braga, comentou sobre as virtudes do programa POA Criativa, e disse que os turistas são “consequência de um centro vivo, pulsante e que aposta na economia criativa”.
Ela ressaltou ainda a importância de transformar a crise de esvaziamento em oportunidade, criando políticas públicas que ajudem o empreendedor criativo a se reconhecer e buscar incentivos para ocupar a área central. “Estamos em um momento bastante estratégico pro Centro de Porto Alegre, que é um Centro vivo”, comentou Joana.
A secretária Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais de São Luís, Verônica Pereira Pires, comentou que a revitalização do Centro Histórico local requereu a superação de gargalos básicos, como a falta de escolas, e explicou ainda as estratégias para lidar com 20% de imóveis ociosos na localidade, envolvendo a revisão de planos diretores e incentivo ao modelo de prédios mistos, com comércio no térreo e moradia no andar superior. "Nós estamos passando por uma tempestade perfeita onde todos os gestores estão se alinhando para esse caminho de reconstrução”, afirmou Verônica.
O vice-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano da Prefeitura de Manaus (Implurb), Pedro Paulo Cordeiro, apresentou o programa municipal “Nosso Centro”, destacando a importância da “biofilia”, descrita como uma reconexão das pessoas com a natureza, através da construção de estruturas que integram lazer, turismo e gastronomia local. Destacou ainda a parceria com a iniciativa privada para viabilizar projetos de larga escala. “O poder público não tem nem braços, nem pernas, nem recursos para revitalizar o centro todo, então nós necessitamos sim das iniciativas privadas”, comentou Cordeiro.