O prefeito de praça do Parque da Redenção, Roberto Ivan Jakubaszko, diz considerar que até o final do próximo ano não haverá mudanças na forma de concessão do local público, que foi suspenso na semana passada pela Prefeitura de Porto Alegre. Para ele, a decisão foi em parte política, em razão da rejeição maciça da proposta, verificada tanto no Conselho de Usuários do parque, quanto nas demais associações de moradores de bairros e grupos relacionados à Redenção. “A pressão foi muito forte”, avalia ele.
Conforme Jakubaszko, o prefeito da Capital, Sebastião Melo, não quis correr o eventual risco político de aprovar a parceria com a iniciativa privada e ser derrotado nas eleições municipais de 2024, na qual se ventila que concorrerá à reeleição. “Minha visão é a de um enxadrista, à qual precisamos sempre prever os movimentos do nosso oponente. A política é algo dinâmico, e vimos que cerca de 80% das pessoas consultadas eram contrárias à concessão”.
Oficialmente, a Secretaria Municipal de Parcerias (SMP) afirmou, em uma curta nota, que o processo foi suspenso para “aprofundamento dos estudos e avaliação das contribuições recebidas na consulta e audiência públicas”. Ou seja, a ideia é não descartar o que já foi recebido nos encontros anteriores. Na prática, a medida vai ao encontro do pedido de suspensão feito em 2022 pelo Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul (MPC-RS), em razão de possíveis irregularidades, e apoiada principalmente por ambientalistas.
A proposta da concessão da Redenção, apresentada pela Prefeitura pela primeira vez em outubro de 2022, pretendia ceder a gestão do parque de 37,5 hectares por um período de 30 anos. Inicialmente, o projeto inclusive pretendia a construção de um estacionamento subterrâneo junto ao Auditório Araújo Viana, algo mais tarde descartado. Já o cercamento do parque, que gerou certa polêmica, apesar de ter sido sempre negado pelo governo Melo.
No último domingo, integrantes de grupos como o Coletivo Preserva Redenção fizeram uma “confraternização simbólica” no parque, segundo eles, para “agradecer” às 40 mil pessoas que aderiram ao abaixo-assinado contra o projeto de concessão. “Fizemos este evento, mas acreditamos que ela é provisória. No caso de reeleição do prefeito atual, ela vai retornar à baila. Nossa expectativa é que se mantenha pelo menos até novas eleições, e vamos continuar na luta. Vamos continuar assinaturas das pessoas que estão em desacordo com este modelo de desenvolvimento da cidade”, afirmou a professora aposentada Ana Maria Dalla Zen, integrante do coletivo.