Começou na sexta-feira (2), no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a primeira edição do Summit in Climate Change. Realizado exatamente um ano após as enchentes que devastaram Porto Alegre e o Estado em 2024. Na data simbólica de fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, o evento reúne autoridades nacionais e internacionais, especialistas, lideranças comunitárias e representantes do Sul Global para debater soluções integradas às mudanças climáticas.
Com nove palestras principais e nove painéis temáticos, o encontro propõe um diálogo transdisciplinar, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. As discussões abrangem desde infraestrutura, meteorologia e rios até saúde, saúde mental e justiça social, tendo como base a ciência e a experiência direta da população atingida.
A reitora da Ufrgs, Márcia Barbosa, destacou que a proposta do summit surgiu da percepção de que os estudos sobre a tragédia climática vinham sendo conduzidos de forma segmentada. “A nova forma de ciência é transdisciplinar e traz a ideia de saúde planetária, que inclui o bem-estar dos seres vivos e do próprio planeta como ecossistema”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância de envolver os mais afetados, como recicladores, desabrigados e moradores das regiões mais vulneráveis: “Como reconstruir com um olhar que contemple essas pessoas?”, questionou.
Ao fim do evento, no sábado, será elaborada a Carta de Porto Alegre, um documento com recomendações baseadas em ciência de ponta sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas, com foco no contexto do Sul Global. A carta será enviada a órgãos como o governo do Estado, a Prefeitura de Porto Alegre, ministérios, além da Casa Civil.
A escolha dos especialistas foi feita a partir de grupos de trabalho formados ainda em novembro do ano passado. Cada painel conta com um relator responsável por sistematizar os debates que comporão a carta. “É um processo intenso. Em dois dias vamos construir esse documento vivo e, depois, queremos ampliá-lo para algo ainda mais robusto cientificamente”, explicou a reitora.
Com 1.200 inscritos, o evento teve grande público logo no início da manhã. Como desdobramento, a Ufrgs propôs a criação de uma Secretaria Especial de Emergência Climática e Ambiental, que será responsável por implementar as recomendações da carta dentro da universidade. “É uma tremenda responsabilidade, ainda mais diante do corte de R$ 8,5 milhões no orçamento. Mas essa será a ordem da ciência que vamos seguir”, finalizou.
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Começa nesta sexta-feira, 02/05, o Summit in Climate Change, evento ocorre em memória das enchentes devastadoras de 2024 e que reune no Salão de Atos da UFRGS líderes governamentais, empresariais e comunitários, além de especialistas e autoridades internacionais, com ênfase nos representantes do Sul Global