A Polícia Rodoviária Federal (PRF) inicia nesta sexta-feira a Operação Finados. Até a próxima segunda-feira, policiais vão reforçar a fiscalização e a prevenção de sinistros de trânsito em trechos críticos, dado o maior fluxo de veículos previstos nas rodovias federais durante o feriado prolongado.
Este ano, o foco da Operação Finados é alertar os condutores sobre as consequências do uso do celular na direção de veículos. Além de infração gravíssima, o hábito, comum entre os brasileiros, eleva o risco de acidentes para quem usa o aparelho, por causa da falta de atenção, e também para todos que transitam pelas rodovias e pelas vias urbanas.
Desde novembro de 2016, quem é flagrado segurando ou manuseando o celular enquanto dirige comete infração gravíssima. A mudança no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) - de infração de natureza média para gravíssima - foi uma tentativa de evitar a prática, que diminui a atenção dos motoristas e aumenta o risco de sinistros de trânsito.
As estatísticas de infrações pelo uso do celular na direção de veículo explicam a importância que o aparelho ganhou na vida das pessoas nos últimos anos e que muitos insistem em falar ao telefone e dirigir. De janeiro a setembro de 2026, 34.987 condutores foram flagrados ao celular. No mesmo período do ano passado, a PRF registrou 31.144 infrações pelo uso do telefone.
Entre os anos de 2021 e 2025, foram 185.807 autuações nas rodovias federais pelo uso do aparelho celular ao volante. Nesse período, o ano de 2024 foi o que teve mais registros, com 48.642 infrações registradas.
Na prática, falar ao telefone e dirigir diminui a atenção e o tempo de reação dos condutores, o que aumenta as chances de sinistros de trânsito. No momento em que o veículo está a 100 km/h, ele percorre aproximadamente 28 metros por segundo. Nesse intervalo, o trânsito à frente pode mudar completamente. Ao voltar a atenção para a rodovia, o motorista pode já não ter tempo ou espaço suficientes para evitar o sinistro.
A perita da PRF e chefe da Coordenação de Prevenção e Atendimento de Sinistros da instituição, Marina Higa, explica as consequências para quem ignora esses riscos: “Ao utilizar o celular enquanto dirige, o condutor perde a noção do que acontece ao redor e a capacidade de reação. Dessa forma, a percepção do que ocorre na rodovia é prejudicada.
Um pedestre atravessando a via, um veículo que muda de faixa, por exemplo, são situações que exigem atenção constante. Quando os olhos estão voltados para a tela, mesmo por poucos segundos, o motorista pode não reagir a tempo, transformando uma breve desatenção em um sinistro que pode ser fatal”, destaca.
Entre outros fatores, a distração provocada pelo celular pode estar associada às principais causas de sinistros de trânsito provocados por ausência de reação e reação tardia ou ineficiente do condutor. Neste ano, a PRF identificou que 17.134 registros tiveram como fator determinante a falta de reação e a reação tardia ou ineficiente.
Para diminuir essas estatísticas, a PRF orienta os motoristas a manterem o celular longe do alcance ou no modo silencioso durante a condução. Mensagens, ligações ou outras funções do aparelho não devem ser acessadas enquanto o veículo estiver em movimento. Se o uso do celular for necessário, o condutor deve procurar um local seguro, estacionar o veículo e só então manusear o aparelho. No trânsito, poucos segundos de atenção podem ser suficientes para provocar um sinistro.
Dicas para uma viagem em segurança:
-Faça a revisão do veículo;
-Descanse antes da viagem;
-Veja as condições da rodovia;
-Acompanhe as condições meteorológicas;
-Não consuma bebidas alcoólicas antes de dirigir;
-Utilize o cinto de segurança e os equipamentos obrigatórios;
-Respeite os limites de velocidade;
-Não use o celular ao volante;
-Ultrapasse em local permitido.