A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou nesta terça-feira, 20, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no último sábado, 17, como um marco da estratégia europeia de fortalecimento do comércio internacional baseado em parcerias, e não em tarifas.
Ela lembrou que o acordo cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 31 países e mais de 700 milhões de consumidores. Para a presidente da Comissão Europeia, o tratado envia um sinal político em um momento de crescentes tensões comerciais globais.
“Esse acordo manda uma mensagem muito poderosa para o mundo, que estamos usando o comércio justo no lugar das tarifas, parceria no lugar do isolamento e sustentabilidade no lugar da exploração. Que somos sérios em reduzir os riscos das nossas economias e diversificar nossas cadeias de suprimento. E isso não vai parar na América Latina”, afirmou.
O acordo UE-Mercosul, assinado após 26 anos de negociações, prevê a redução gradual de tarifas, ampliação do acesso a mercados e compromissos em áreas como sustentabilidade e regras ambientais.
A conclusão do tratado é vista por líderes europeus como uma resposta direta ao avanço do protecionismo e às disputas comerciais entre grandes potências.
Outros acordos
No discurso, von der Leyen também citou outros países com os quais a União Europeia trabalha para fechar novos acordos comerciais. Entre eles, destacou a Índia, com quem o bloco está prestes a concluir um tratado de livre comércio.
“Ainda há trabalho a ser feito. Mas estamos à beira de um acordo comercial histórico”, disse. Segundo a presidente da Comissão Europeia, o acordo com a Índia pode criar um mercado de cerca de 2 bilhões de pessoas, responsável por quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) global.
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Recados a Trump
A citação aos novos acordos reforça, segundo Ursula von der Leyen, a estratégia da União Europeia de ampliar sua presença econômica global por meio do diálogo, da cooperação e de regras multilaterais, em contraposição a políticas de pressão comercial e à imposição de tarifas entre parceiros.
A referência é um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem intensificado as tensões comerciais com o bloco europeu.
O republicano anunciou que pretende aplicar uma tarifa de 10% a oito países da Europa a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se posicionem contra o plano dos EUA de comprar a Groenlândia, o que contribuiu para o agravamento das tensões geopolíticas no Ártico.
Trump afirma que a ilha é estratégica para a segurança americana, tanto por sua localização quanto por suas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que elevou o nível de alerta entre os aliados europeus.