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Von der Leyen rebate Trump em Davos, defende soberania da Groenlândia e critica tarifas

Presidente da Comissão Europeia afirmou que pressões comerciais são um “erro” e defendeu mais autonomia diante dos EUA

Ursula von der Leyen, discursou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira, 20
Ursula von der Leyen, discursou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira, 20 Foto : FABRICE COFFRINI / AFP

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, usou o palco do Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira, 20, para enviar um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas no Ártico.

Sem citar o governo americano nominalmente, a líder europeia afirmou que a soberania da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, é “inegociável” e classificou como um “erro” o uso de tarifas ou pressões comerciais entre parceiros históricos.

A declaração ocorre dias após Trump anunciar que pretende aplicar uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se oponham ao plano dos Estados Unidos de comprar a Groenlândia.

“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, disse von der Leyen, ao defender “solidariedade total” da União Europeia com o território dinamarquês. Segundo ela, a segurança do Ártico “só pode ser alcançada em conjunto”, em referência à necessidade de atuação coordenada entre Europa, Estados Unidos e países da Otan.

O presidente americano defende que a ilha é estratégica para a segurança dos EUA, por sua localização e por suas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que elevou o alerta entre aliados europeus.

Crítica a tarifas

No campo comercial, a presidente da Comissão Europeia criticou a possibilidade de imposição de tarifas adicionais entre aliados. “As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”, afirmou.

Para von der Leyen, a Europa deve “buscar mais independência” em relação aos Estados Unidos, reduzindo riscos e fortalecendo suas próprias cadeias de suprimento.

As declarações em Davos vieram na sequência de um encontro de emergência realizada no último domingo, 18, em Bruxelas, que reuniu líderes dos 27 países da União Europeia para discutir uma resposta conjunta ao aumento das tensões diplomáticas e militares no Ártico com os EUA.

Em resposta às falas de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à Groenlândia, a pedido do governo dinamarquês.

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Comércio global e novos acordos

No mesmo discurso, von der Leyen destacou a estratégia da União Europeia de ampliar e diversificar parcerias comerciais como alternativa ao protecionismo. Ela citou o acordo entre Mercosul e União Europeia, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 31 países e mais de 700 milhões de consumidores.

A presidente da Comissão Europeia também mencionou negociações em curso com outros países e destacou o avanço das tratativas com a Índia. Segundo ela, a UE está prestes a concluir um acordo de livre comércio com o país asiático, embora ainda haja etapas pendentes.

“Ainda há trabalho a ser feito. Mas estamos à beira de um acordo comercial histórico. Alguns o chamam de ‘a mãe de todos os acordos’. Um acordo que criaria um mercado de 2 bilhões de pessoas, responsável por quase um quarto do PIB global”, disse, ao abordar os esforços europeus para diversificar o comércio.

A expectativa é de que von der Leyen visite a Índia no início da próxima semana para avançar nas negociações.