As agências da Previdência Social estão sem atendimento presencial a partir desta quarta-feira. Em função do feriadão, as portas só devem reabrir na próxima terça, dia 3 de fevereiro. A paralisação é justificada pela necessidade de mudanças programadas nos sistemas previdenciários, conforme solicitação da Dataprev, empresa responsável pela tecnologia da informação da Previdência.
O aviso pegou beneficiários de surpresa, como a aposentada Iracema Dias, de 76 anos. Ela veio da zona Sul de Porto Alegre apenas para ir à agência localizada na rua Jerônimo Coelho, no Centro Histórico, porque precisava de documentos para ser isenta do IPTU na prefeitura. Ela afirmou que tem dificuldade para acessar o sistema de forma online. A aposentada relatou que está com problemas para locomoção por conta do seu joelho. "A gente vem cheio de dor, que eu estou com os dois joelhos inúteis, doendo e sempre perdendo a viagem", conta. "Está tendo muito fraquejo no atendimento. De mal a pior. É triste isso. Quem sofre é o assalariado, é o pobre, o miserável", completa.
Além do fechamento das agências, os serviços digitais do Meu INSS (site e aplicativo) e a Central Telefônica 135 também ficarão indisponíveis a partir das 19h do dia 27 até o dia 31 de janeiro, ampliando ainda mais o impacto para milhões de segurados que já enfrentam dificuldades para acessar seus direitos.
Segundo nota oficial do INSS, a paralisação seria necessária para a “modernização” dos sistemas, com a promessa de maior estabilidade, segurança e eficiência.
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Sindicato afirma que avisos não foram claros e critica modelo do sistema de digitalização
O Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Rio Grande do Sul (SindisPrevRS), denuncia a demora na análise dos benefícios previdenciários e o volume de requerimentos pendentes. Segundo a entidade, entre janeiro e novembro de 2025, o número de pedidos cresceu 23%, atingindo uma média mensal de 1,3 milhão de solicitações. Ainda, aponta o histórico de sistemas precários, equipes insuficientes e ausência de investimento estrutural.
O sindicato também defende que a indisponibilidade dos sistemas em janeiro não é um fato isolado, mas envolve a gestão que mantém o INSS em “estado permanente de crise, penalizando trabalhadores e a população” que dependem da Previdência Social.
Thiago Manfroi, diretor do Sindisprevrs, afirma que os comunicados sobre a paralisação são truncados e sem uma explicação clara sobre o real motivo. "A gente acha que foi um um processo temerário, porque a gente não sabe se o sistema vai voltar. Dizem que tem um plano de contingência, mas também não foi apresentado, sem também fazer um diálogo maior com a sociedade", relata. "Não é uma parada sistêmica para trocar um um uma pecinha. Estamos falando dos dados de milhões de brasileiros", complementa.
O diretor também lembra que o sistema de digitalização é denunciado há alguns anos pela entidade, que afeta parte da população idosa, que tem dificuldade de acessar o sistema. Ele alega que o INSS não vem "tratando com seriedade" a situação da população que utiliza o serviço. "Não é que ele [o cidadão] não queira fazer, ele não sabe. Não tem instrução para isso". Ele reitera que não é contra a atualização do sistema, mas a maneira como ele foi construído. "A população não está sabendo, não foram feitas publicações antecipadamente sobre isso", afirma.
"O problema do INSS não é a questão dos servidores ou o trabalho remoto ou presencial. O problema do INSS é a falta de gestão", diz o diretor.
A Dataprev afirma, em nota, que a etapa é parte “essencial do processo de modernização dos sistemas previdenciários”. Ainda, que as ações envolvem a migração de dados para uma plataforma tecnológica mais atual, e que “amplia a capacidade de evolução e sustentabilidade das soluções”.