Política

Sindicato reage às críticas de Paulo Pimenta contra o INSS

Texto afirma que deputado “opta por responsabilizar os servidores públicos pelo caos estrutural que há décadas atinge a Previdência Social”

"Filas no INSS, agências fechadas, sistema fora do ar e aposentados passando a madrugada na porta para encontrar tudo fechado", criticou Pimenta
"Filas no INSS, agências fechadas, sistema fora do ar e aposentados passando a madrugada na porta para encontrar tudo fechado", criticou Pimenta Foto : Bruno Spada / Câmara dos Deputados / CP

As críticas do deputado federal gaúcho Paulo Pimenta (PT) ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem gerado repercussão no Rio Grande do Sul. Após o ex-ministro e um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado divulgar um vídeo sobre o tema, o Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência Social (SindisprevRS) divulgou uma nota de repúdio manifestando “sua profunda indignação com as declarações”.

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O texto afirma que Pimenta “opta por responsabilizar os servidores públicos pelo caos estrutural que há décadas atinge a Previdência Social, desconsiderando fatos objetivos e a realidade vivida diariamente dentro do Instituto”.

“O atendimento no INSS enfrenta, de fato, graves problemas. No entanto, é inadmissível que essa realidade seja tratada de forma simplista, com afirmações como a de que não há falta de pessoal, mas sim resistência ao trabalho presencial. Essa narrativa ignora dados concretos: o INSS perdeu mais da metade de sua força de trabalho nas últimas décadas. Já fomos quase 80 mil servidores; hoje somos menos de 19 mil para atender uma demanda crescente, complexa e socialmente sensível. A falta de pessoal é real, documentada e reconhecida, e nenhum discurso a apaga”.

O sindicato ainda busca afastar a associação do teletrabalho dos funcionários com a crise causada em 2025 após a descoberta de desvios bilionários de recursos no âmbito do INSS. “Causa ainda mais preocupação a tentativa de associar o teletrabalho à prática de fraudes, insinuando que o home office teria facilitado a ação de criminosos que aplicaram descontos indevidos em benefícios. Essa afirmação é grave, irresponsável e não se sustenta. As fraudes não decorrem do regime de trabalho dos servidores, mas sim de falhas sistêmicas, ausência de fiscalização adequada, fragilidade dos controles institucionais e abandono histórico da gestão pública”, diz a nota.

Confira, abaixo, a íntegra da nota de repúdio do SindisprevRS e, após, o vídeo públicado pelo deputado Paulo Pimenta.

Nota de repúdio às declaração do deputado Paulo Pimenta

O SindisprevRS – Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Rio Grande do Sul manifesta sua profunda indignação com as declarações do deputado federal Paulo Pimenta, que, ao afirmar que “o INSS é uma vergonha e eu não vou ficar calado”, opta por responsabilizar os servidores públicos pelo caos estrutural que há décadas atinge a Previdência Social, desconsiderando fatos objetivos e a realidade vivida diariamente dentro do Instituto.

O atendimento no INSS enfrenta, de fato, graves problemas. No entanto, é inadmissível que essa realidade seja tratada de forma simplista, com afirmações como a de que não há falta de pessoal, mas sim resistência ao trabalho presencial. Essa narrativa ignora dados concretos: o INSS perdeu mais da metade de sua força de trabalho nas últimas décadas. Já fomos quase 80 mil servidores; hoje somos menos de 19 mil para atender uma demanda crescente, complexa e socialmente sensível. A falta de pessoal é real, documentada e reconhecida, e nenhum discurso a apaga.

Também é falso afirmar que colocar todos os servidores em trabalho presencial resolveria o problema. Os sistemas utilizados são os mesmos, tanto para quem trabalha presencialmente quanto para quem está em teletrabalho. Grande parte da análise e do reconhecimento de direitos previdenciários é realizada por servidores em teletrabalho, que cumprem metas diárias elevadas, sob monitoramento permanente, independentemente das constantes quedas, lentidões e indisponibilidades dos sistemas. Penalizar esses trabalhadores é atacar quem mantém o INSS funcionando.

Causa ainda mais preocupação a tentativa de associar o teletrabalho à prática de fraudes, insinuando que o home office teria facilitado a ação de criminosos que aplicaram descontos indevidos em benefícios. Essa afirmação é grave, irresponsável e não se sustenta. As fraudes não decorrem do regime de trabalho dos servidores, mas sim de falhas sistêmicas, ausência de fiscalização adequada, fragilidade dos controles institucionais e abandono histórico da gestão pública. É crucial, também, destacar que os cargos estratégicos envolvidos na facilitação do esquema são, em sua maioria, de nomeação política. É a gestão quem, ao flexibilizar normas e mecanismos de controle, permitiu que associações e financeiras realizassem descontos indevidos diretamente nos benefícios dos aposentados e pensionistas, evidenciando uma falha estrutural na fiscalização. Assim como a precarização e falta de investimento no instituto com sistemas inoperantes.

Nesse sentido, a própria CPMI do INSS, atualmente em andamento, vem demonstrando exatamente isso: décadas de negligência do Estado, falta de investimento, ausência de controles eficientes e decisões políticas que enfraqueceram a capacidade de proteção do sistema previdenciário. Transferir essa responsabilidade para os servidores é uma tentativa de desviar o foco das reais causas do problema.

É igualmente ofensiva a afirmação de que o emprego no INSS teria “virado um bico”. Os servidores da Previdência Social atuam com dedicação, responsabilidade técnica e compromisso público, mesmo submetidos à sobrecarga extrema, pressão por metas, adoecimento e exposição a episódios quase diários de violência dentro das agências, resultado da frustração da população diante de um sistema que não funciona — mas não por culpa dos trabalhadores.

O mês de janeiro escancara ainda mais esse problema e já se consolida como um dos períodos mais caóticos para os sistemas do INSS. Além da lentidão constante e das recorrentes indisponibilidades, haverá uma paralisação geral dos sistemas do Instituto, a partir das 19h do dia 27 de janeiro, com retorno previsto apenas para o dia 1º de fevereiro, às 23h, em razão do processo de migração tecnológica do sistema CV3. Essa interrupção afeta diretamente o atendimento nas Agências da Previdência Social, o acesso ao Meu INSS e à Central 135, deixando milhões de segurados sem acesso a direitos básicos e aprofundando um caos que é antigo, previsível e reiteradamente denunciado pelos servidores.

Além disso, os servidores vivem um clima de insegurança e apreensão diante do processo de migração tecnológica do sistema CV3, responsável por grande parte da infraestrutura do INSS, em razão do encerramento do contrato desse sistema. Esse processo ocorre sem garantias suficientes de estabilidade, planejamento adequado ou transparência, ampliando o temor de novos colapsos no atendimento.

A carreira do Seguro Social nunca se calou. Sempre denunciou o sucateamento do INSS, a falta de concurso público, a precarização das condições de trabalho e os prejuízos impostos à população. Os servidores também sofrem como cidadãos: têm familiares, amigos e conhecidos que dependem do INSS, sentem diretamente os efeitos da demora e da instabilidade e compartilham da indignação social. O SindisprevRS, entidades que representam a categoria, encaminharam denúncia ao Ministério Público Federal (processo nº 1.29.000.002435/2025-81) e à Procuradoria Regional do Trabalho da 4ª Região (Notícias de Fato nº 001374.2025.04.000/4, 000314.2025.04.0007/0, 000680.2025.04.000/3, 001453.2025.04.000/3). Os processos se encontram em tramitação.

O INSS não é palco para campanhas eleitorais ou discursos fáceis. Estamos falando de vidas humanas, de direitos sociais e de trabalhadores que levam a sério sua função pública.

Diante disso, o SindisprevRS convida o deputado Paulo Pimenta a visitar as Agências da Previdência Social, a acompanhar um dia inteiro de atendimento, a vivenciar as filas, as falhas de sistema, a escassez de servidores, a pressão diária e a realidade concreta de quem mantém o INSS funcionando. Críticas só são legítimas quando acompanhadas de compromisso com a verdade e com soluções reais. Visto os últimos acontecimentos de atos de violência contra servidores do INSS, uma declaração pública com tom irresponsável, culpabilizando os servidores, irá incentivar ainda mais um clima hostil contra os trabalhadores. Será que o deputado Paulo Pimenta irá se responsabilizar caso ocorra uma tragédia nas agências?

O que o INSS precisa não são ataques aos seus trabalhadores, mas investimento, respeito, concurso público, sistemas estáveis, segurança para servidores e responsabilidade política com a Previdência Social.

Vídeo publicado pelo deputado Paulo Pimenta