Bolsa fecha em leve baixa pelo segundo dia consecutivo e dólar vai a R$ 4,14

Bolsa fecha em leve baixa pelo segundo dia consecutivo e dólar vai a R$ 4,14

Com influência do cenário nacional e exterior, dólar fechou o dia em alta de 0,47%

AE

Ibovespa terminou o dia com 110.672,01 pontos, em baixa de 0,28%

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O Ibovespa fechou em terreno negativo pelo segundo dia, na véspera de decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, com o mercado atento também, aqui como no exterior, aos sinais de autoridades americanas e chinesas sobre as negociações comerciais, a poucos dias do prazo-limite de domingo, quando novas tarifas podem ser impostas. Assim, o principal índice da B3 encerrou a sessão aos 110.672,01 pontos, em baixa de 0,28%, restringindo o ajuste nos minutos finais.

Agora, o Ibovespa acumula perda de 0,41% na semana e ganho de 2,25% no mês. Em 2019, o índice avança 25,92%. O giro financeiro foi de R$ 17,2 bilhões nesta sessão, na qual o índice oscilou entre mínima de 110.132,84 e máxima de 111.184,37 pontos.

"Um ajuste desse com o Ibovespa a 110 mil pontos não assusta, nem chega a ser uma realização, considerando o ganho no mês e que estamos a poucos dias de vencimento de opções", diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor, chamando atenção para a acomodação do dólar e a perspectiva de o Copom confirmar, amanhã, o aguardado corte de meio ponto porcentual na Selic, de 5% para 4,5% ao ano, em processo de ajuste nos custos de crédito já bem "balizado", tanto no Brasil como no exterior.

Para o Federal Reserve, a expectativa é de que o BC dos EUA mantenha, amanhã à tarde, a taxa de juros na faixa de 1,50% a 1,75% ao ano, e possa sinalizar a conservação dos custos de crédito neste nível até o final do próximo ano.

Por aqui, a expectativa é de que o Copom tenha espaço, no máximo, para um corte de 0,25 ponto porcentual em 2020, a depender do comportamento da atividade e da inflação, após ter se esperado no mercado um escopo maior, de até 0,50 ponto para o ano que vem. Assim, o comunicado do Copom será esquadrinhado amanhã em busca de sinais sobre a visão do BC quanto às mais recentes leituras da inflação e do crescimento econômico, em geral acima do consenso.

Como pano de fundo, o mercado segue atento a indicações, frequentemente contraditórias, sobre a disputa EUA-China. Larry Kudlow, assessor-chefe do Conselho Econômico Nacional, disse hoje que ainda está sobre a "mesa" a possibilidade de os EUA, de fato, optarem no dia 15 pela adoção de novas tarifas para importações da China, parecendo contrariar relato do secretário de Agricultura, Sonny Perdue, de que "algum tipo de recuo" estaria a caminho.

Entre as ações, destaque para a alta de 2,85% na ação preferencial da Gerdau, após elevação do preço-alvo pelo Bradesco BBI, de R$ 18,00 para R$ 24,00, com rentabilidade superior proporcionada pela alta do dólar, na avaliação do banco. Nesta terça-feira, a moeda americana à vista fechou em alta de 0,47%, a R$ 4,1488, praticamente estável na semana (+0,05%), mas acumulando perda de 2,17% no mês.

Dólar

Mais do que a expectativa sobre as decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos - em que não se aguardam surpresas - amanhã, os investidores do mercado de câmbio operaram na sessão desta terça sob a expectativa de mais sinalizações que podem surgir nos dias que antecedem eventual armistício na guerra comercial sino-americana. Assim, o dólar à vista encerrou o pregão na marca dos R$ 4,14, com volume mais contido e oscilando num range entre R$ 4,15 e R$ 4,13.

Indicações de que não haveria um acordo efetivo, mas, sim, um adiamento das negociações, deixaram os agentes acautelados. Durante o dia de hoje autoridades americanas foram dando recados a conta-gotas. À tarde, o diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, Larry Kudlow, afirmou que as tarifas programadas para os produtos chineses em 15 de dezembro ainda estão "sobre a mesa".

Mais cedo, o secretário do Comércio americano, Wilbur Ross, disse em entrevista à emissora Fox Business: "Fechar um acordo um dia antes, no dia 15, um dia depois ou uma semana depois é muito menos importante do que obter o acordo certo".

"Os Estados Unidos não devem aumentar as tarifas, apenas estender o prazo de negociações. Para o câmbio ficar ruim vai depender de como o assunto for trazido", ressalta José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos. Nesse contexto, ele lembra que a relação de forças está no comércio exterior, uma vez que dados mais recentes das exportações chinesas recuaram 1% contra retração de 23% das americanas. "Para o câmbio ficar ruim, de fato, os Estados Unidos terão de anunciar um aumento de tarifas contra a China."

Diante desse panorama incerto, as definições sobre política monetária, consideradas praticamente dadas, ganham menor atenção. Muito embora o diferencial de juros aumente com a decisão do Copom, por outro lado, o diretor lembra que está perto do fim o movimento sazonal de envio de remessas de lucros e dividendos pelas empresas. Além disso, há perspectivas de ingresso de recursos tanto em direção à Bolsa como pelas perspectivas de aumento do volume financeiro das exportações nacionais com a futura safra agrícola.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,47%, a R$ 4,1488. Para janeiro, a moeda marcou R$ 4,1500 (+0,08%). O giro no mercado de câmbio no futuro foi de US$ 16,4 bilhões.

Juros

Os juros futuros tiveram novo dia de poucas oscilações e fecharam perto da estabilidade, mesmo com a alta do dólar, com as mesas de renda fixa no aguardo do final da reunião de política monetária do Banco Central, que começou nesta terça-feira, 10. Também há expectativa pelo encontro do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que terá comunicado divulgado na tarde da quarta-feira, 11. Nos dois casos, o maior interesse é sobre o que os BCs vão sinalizar para 2020.

Para a decisão do BC, os agentes esperam corte de 0,50 ponto na taxa básica de juros, a Selic, na quarta-feira, mas o mercado permanece dividido sobre que deve acontecer em fevereiro, se as taxas terão redução de 0,25 ponto ou se serão mantidas.

O economista para a América Latina do grupo financeiro ING, Gustavo Rangel, avalia que o corte anunciado na reunião de quarta vai marcar o fim do ciclo atual de reduções na Selic, com a taxa terminando em 4,5%. "A política monetária vai entrar agora em um período prolongado sem novas ações, em um ambiente de juros acomodatícios que está aqui para ficar e deve ajudar a acelerar o crescimento", ressalta ele. O fato de recentes indicadores da atividade, como o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, mostrarem maior força da economia, deve desencorajar o BC a cortar adicionalmente a Selic.

Já os estrategistas do banco americano Citi veem chance de cortes adicionais na Selic em 2020, mas não descartam a possibilidade de um comunicado mais "hawkish" (conservador) nesta quarta-feira. A previsão da casa é que a taxa recue para 4% no ano que vem, mas há espaço para os dirigentes adotarem uma postura mais "cautelosa" ou mesmo sinalizarem uma "pausa". O Citi observa que apesar de o dólar mais valorizado e o PIB ganhando tração, a inflação segue relativamente comportada e abaixo do centro da meta do BC, portanto haveria espaço para cortes adicionais.

Para a reunião do Fed, a expectativa é de manutenção das taxas na quarta-feira, após três cortes seguidos, mas há dúvidas sobre o que pode ser sinalizado para 2020. Assim como aqui, há a discussão em Wall Street se o ciclo de cortes chegou ao fim ou se pode continuar no ano que vem.

Na sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou praticamente estável, a 4,620%, de 4,619% no ajuste anterior.

Em outros vencimentos, o dia também foi marcado por poucas oscilações. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou estável em 5,720% e a do DI para janeiro de 2025 ficou em 6,350%. O DI para janeiro de 2027 encerrou em 6,700%, ante 6,701% do ajuste da segunda-feira, 9. Na sessão estendida, as taxas continuaram praticamente estáveis.


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