O contrato para retirada de sedimentos dos canais Leitão, Pedras Brancas, Furadinho e São Gonçalo, na Lagoa dos Patos, previsto inicialmente pela Portos RS para ser encerrado no último mês de agosto, foi estendido em seis meses devido ao excesso de chuvas e o ciclone extratropical entre maio e junho deste ano terem atrasado o processo, disse o presidente da estatal, Cristiano Klinger. Já o canal da Feitoria, um dos principais pontos atuais de restrição à navegação plena até o porto de Porto Alegre, teve antecipada a licitação da dragagem.
Até então, ele estava na lista de 12 outros canais a serem dragados, mas esta separação foi influenciada pelo apelo de empresas usuárias da hidrovia, em grande medida. O objetivo geral é atingir o calado operacional de 5,18 metros, necessário para a navegação de grandes navios. Enquanto isso, a praticagem critica o que classifica como lentidão e falta de operação da estrutura portuária da Capital. O impacto das enchentes de 2024 fez uma empresa, a Azevedo Bento, a mais antiga do Rio Grande do Sul até então, fundada em 1855, e produtora do Sal Pirata, encerrar suas atividades em agosto.
De acordo com Klinger, no caso dos quatro canais, as intempéries climáticas ocasionaram a retirada por 15 dias de equipamentos da vencedora da licitação, a empresa Ster, e parte dos sedimentos retornaram a locais de onde já haviam sido retirados. Com isso, afirmou o presidente, o custo, inicialmente de R$ 58,8 milhões, aumentou em R$ 11 milhões. “Obviamente, vamos acompanhar e trabalhar para que isto seja feito antes deste período”, disse Klinger. No entanto, o diretor de praticagem da Lagoa dos Patos, Geraldo Almeida, afirma que o serviço somente foi iniciado na prática nos canais de Pedras Brancas e Leitão, os dois mais próximos ao porto da Capital, sendo que o prejuízo maior foi no primeiro. “Na prática, foram dois meses perdidos”, afirmou ele.
“E não há garantia de que quando o serviço estiver pronto, os navios voltarão. O porto precisa recuperar a credibilidade junto aos armadores e pessoal da carga. Mesmo muito tempo depois das enchentes, isto ainda está prejudicando toda a economia do Rio Grande do Sul. Não vislumbro o problema 100% solucionado nos próximos três a quatro anos”. Já o canal da Feitoria, cuja ordem de início do serviço foi emitido nos últimos dias, havia sido objeto de um ofício da Unifertil, principal usuária do porto da Capital, enviado à Portos RS no final de agosto. No documento, a empresa de fertilizantes pede “urgência urgentíssima” para dragagem da Feitoria, além da “rápida liberação da navegação de longo curso” para acesso a Porto Alegre ainda em 2025.
“Caso persista este cenário de inviabilidade de acesso até o final de 2025 não restará outra alternativa para a Unifertil em 2026 se não em desmobilizar os investimentos e operações que ainda sofrem com prejuízos e repercussões da calamidade de 2024”, disse a empresa, acrescentando que poderá desistir de arrendar e recuperar um dos armazéns da área portuária, além de encerrar operações de fertilizantes deficitárias em Canoas e Porto Alegre. “Todas as manifestações são importantes dentro deste processo que vemos fazendo, porque demonstram as ações necessárias e urgentes a serem executadas”, disse Klinger, ao ser questionado sobre a nota.
"Trabalhamos em diálogo com empresas e praticagem”, diz presidente da Portos RS
“Estamos com um trabalho de muita proximidade e muito diálogo com a praticagem e as empresas, buscando caminhos e alternativas para que possamos resolver o quanto antes esta situação”. Somente no canal da Feitoria, serão dragados mais de 750 mil metros cúbicos de sedimentos, com prazo contratual de 20 dias de mobilização dos equipamentos, mais 160 dias de execução, somando também seis meses. Mas, assim como nos demais, a expectativa da Portos RS é terminar o processo antes. O custo individual é de cerca de R$ 24 milhões. Os outros 11 canais poderão ter a licitação lançada ainda neste mês, com previsão de remover dois milhões de metros cúbicos de sedimentos.
Eles também serão divididos em dois lotes, mas o valor do contrato não foi divulgado. “Para se ter uma ideia, todas as dragas de recalque do Brasil estão no Guaíba, com umas oito ou nove operando, mas apenas umas três são adequadas para dragagem. As outras são muito pequenas. Temos empresas desesperadas lá, porque, quando os navios de fertilizantes encalharam (no canal de Itapuã), no ano passado, foi dito que a situação seria resolvida em dois meses, e já estamos no 17º mês após a enchente. Está todo mundo prejudicado em relação a isto”, observou Almeida.
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