Dólar tem leve baixa, em pregão marcado por instabilidade no mercado financeiro

Dólar tem leve baixa, em pregão marcado por instabilidade no mercado financeiro

Bolsa de valores chegou à maios sequência de baixas da série histórica de 1968

AE

Moeda norte-americana ficou definida por mercados externos

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Em pregão marcado por instabilidade e troca de sinais, sobretudo ao longo da tarde, o dólar à vista fechou cotado a R$ 4,9814, em baixa de 0,10%. As oscilações foram contidas, de pouco menos de quatro centavos entre a mínima (R$ 4,9598) e a máxima (R$ 4,9959), ambas registradas pela manhã. Na semana, a moeda acumula valorização de 1,58%, o que leva os ganhos no mês a 5,33%.

Como nas sessões anteriores, o comportamento da moeda norte-americana no exterior teve papel preponderante na formação da taxa de câmbio. Na primeira etapa de negócios, o sinal predominante foi de baixa, com realização de lucros e retomada do preços de commodities. Após três dias de queda, o petróleo fechou em alta, com o tipo Brent com valorização de 0,80%, a US$ 84,12 o barril. O governo chinês interveio por meio de bancos para sustentar o yuan, prometeu medidas para amparar o setor imobiliário e reiterou o compromisso com crescimento econômico.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes - operava praticamente estável no fim da tarde, após tocar máxima aos 103,498 pontos. No mês, sobe, mais de 1,5%. A moeda avançou em relação a divisas de países exportadores de commodities desenvolvidos, como o dólar australiano, e apresentou leve recuo na comparação com a maioria das divisas emergentes.

Segundo operadores, após a forte rodada de depreciação das moeda latino-americanas, incluindo o real, houve uma pausa para ajuste de posições com retomada das commodities. Por aqui, o dólar respeitou mais uma vez o nível psicológico de R$ 5,00, visto pela última vez no fechamento em 1º de junho deste ano. Apesar do avanço em agosto, a moeda ainda recua 5,66% na comparação com o real em 2023. "O mercado local está nos últimos dias em clara sintonia com o ambiente externo, com aversão ao risco e busca por dólar nos últimos dias. As taxas dos Treasuries sobem e existe muita descrença com a capacidade do governo chinês de evitar uma desaceleração da economia", afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, acrescentando que, após a rodada recente de depreciação do real, o mercado tenta buscar um novo ponto de equilíbrio.

O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, observa que nos últimos 30 anos o dólar se valorizou praticamente em relação a todas as divisas, sejam de mercados emergentes ou desenvolvidos. "É normal que, em momentos de aumento de incerteza, o mercado busque a segurança do dólar, mesmo após o recente downgrade da nota de crédito da dívida norte-americana e aumento do déficit fiscal do país", afirma Oliveira. "Mantenho o cenário de que as economias latinas, e o Brasil em especial, estão muito bem posicionadas. Após os ruídos atuais, o real e outras moedas da região devem voltar à tendência de apreciação".

O Ibovespa enfim cumpriu a profecia desenhada aos poucos a partir de 1º de agosto e colheu, nesta quinta-feira, 17, a maior sequência de perdas de que se tem registro no índice, em série histórica que retrocede ao início de 1968. Nesta quinta-feira, sem ainda marcar ganho diário desde a abertura do mês, a referência da B3 chegou ao 13º revés seguido, uma sequência sem precedentes. Dessa forma, supera as 12 perdas entre maio e junho de 1970 conforme o AE Dados, série que havia sido igualada na quarta-feira, 16, pelo índice. Antes, o Ibovespa, em ritmo bem gradual de ajuste, vinha se equiparando a outras séries marcantes, de 1998, 1995 e 1984.

Nesta quinta, fechou em baixa de 0,53%, aos 114.982,30 pontos, agora no menor nível de encerramento desde 6 de junho (114.610,10), entre mínima de 114.859,21 (-0,63%) e máxima de 116.610,49 pontos na sessão, saindo de abertura aos 115.592,14 pontos. Em agosto, o índice acumula perda de 5,71%, limitando o avanço do ano a 4,78% - no fim de julho, estava em 11,13% para 2023, então bem perto dos 122 mil pontos.

Na semana, recua 2,61%. O giro desta quinta-feira ficou em R$ 27,4 bilhões, ainda relativamente alto para o padrão recente, após ter sido muito reforçado na quarta pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.


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