Impactos da enchente do Rio Grande do Sul e importantes ações de mitigação de riscos no mercado segurador foram temas do Meeting Jurídico desta sexta-feira, evento da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), que ocorreu na Associação Comercial de Porto Alegre. No painel "Ameaças climáticas: o papel crucial do mercado de seguros", estavam os palestrantes Marlon Basso, responsável pela área de prevenção de no gerenciamento de risco da REP Seguros; Paula Müller, advogada especialista em direito de seguros e Ricardo Pansera, diretor da Pansera Corretora de Seguros e vice-presidente da Federação da Fenacor.
Marlon Basso apresentou que, no setor de seguros, foram cerca de R$ 6 bilhões de indenizações pagas, aproximadamente 58 mil avisos de sinistros relacionados às enchentes e com impactos maiores nos segmentos de seguros patrimoniais, residenciais, automóveis e agrícolas.
Ele relatou que atuou ativamente na catástrofe do Rio Grande do Sul, com centenas de clientes que foram atingidos. Ele pontuou que, após as enchentes, foi observada uma mudança de paradigma em empresas de indústria e energia, que já entendem que investir em prevenção e adaptação traz melhor retorno do que arcar com reconstruções sucessivas. “Se sabe que a mudança climática está aí, todo mundo está vivenciando isso. É difícil mudar as perspectivas de que ocorra novamente, mas a gente não pode ficar parado esperando acontecer”, afirmou.
Marlon debateu a importância de haver ações de proteção e contingência, com medidas de engenharia e estruturas físicas que podem reduzir a exposição direta de instalações: entre elas, realocação para locais mais altos ou seguros, uso de materiais resistentes à água e anticorrosão e elevação de estruturas e equipamentos críticos. Também, investir em barreiras de contenção e sistemas de diques e melhorias de drenagem e impermeabilização do solo. Ele ainda lembrou que toda empresa em área de risco deve possuir um Plano de Resposta a Emergências por Enchentes, e que precisam ficar atentas a sinais prévios de enchente.
Ricardo Pansera pontuou que apenas 6% do Estado estava coberto de seguro na enchente, e a falta de informação sobre seguro em desastre climático dos clientes causou transtorno de imagem e de credibilidade no setor. "Muitos dos segurados que tinham uma apólice de seguros, como o cliente ele não tem muito conhecimento de causa, entendiam que a enchente estava coberta. Mas estava coberta naqueles que contrataram essa cobertura acessória. Isso nos preocupou muito", disse.
Ele busca, em conjunto com diferentes esferas do setor, levar ao mercado a conscientização de que uma cobertura ao risco de eventos climáticos seja incluída nos seguros como o seguro habitacional e de automóveis, com adesão de cada vez mais seguradoras. "É bom para todos, não vai ter gastos. O seguro tem um preço muito barato hoje, e tem um espaço para se especificar e colocar em prática o princípio do seguro, que é a pulverização dos riscos", afirmou.
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De todos os atingidos pela enchente que mantinham uma apólice de seguro patrimonial, residencial ou de pequeno e médio comércio, apenas 3% tinha uma garantia contratada. "O usuário não tinha uma previsão que um dia ia se repetir 1941, aqui, uma catástrofe dessa", afirmou Pansera. Ele lembrou que existe um projeto da Confederação Nacional dos Seguradores (CNCSEC), chamado de seguro-catástrofe, que está dedicado a atender pessoas que vivem em áreas de risco.
Paula Müller tratou do lado mais jurídico do tema, como a lei 15.040, a nova Lei de Seguros que entra em vigor em dezembro, depois de 20 anos de tramitação, que irá estabelecer mudanças no mercado, na forma de substituição do risco, de contato da corretora e da informação passada pelo segurado. Também tratou de novidades debatidas no mercado, como os seguros paramétricos, importantes para os eventos climáticos. "São seguros que, uma vez constatada a ocorrência do risco, a indenização é paga de pronto, não é necessário regular o sinistro e ver a extensão de prejuízos. É um critério objetivo", disse.