Imagine transformar o descarte diário da sua casa em combustível renovável para caminhões e indústrias. O que parece cenário de ficção científica já é realidade no Rio Grande do Sul.
Em entrevista exclusiva ao podcast do Correio do Povo durante o 6º Fórum de Energias Renováveis, com patrocínio de Biometano Sul e Biotérmica Energia, Rafael Salamoni, vice-presidente do Sindienergia-RS, explicou como o biometano está convertendo "passivos ambientais" em ativos estratégicos para a economia verde, impulsionando projetos de biogás e biometano em companhias e cooperativas gaúchas.
Vantagem gaúcha na produção de biometano
O Estado do Rio Grande do Sul larga na frente por ser praticamente livre de lixões, com 85% do seu resíduo sólido urbano destinado a aterros sanitários. Nesses locais, a decomposição da matéria orgânica gera o biogás que, após purificado, torna-se biometano — um combustível com uma pegada de carbono drasticamente menor.
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Descentralização e segurança energética
O biometano surge como a solução para a descentralização: usinas instaladas no interior podem abastecer indústrias locais e criar "hubs" para frotas logísticas. Isso reduz custos de transporte e promove uma "segurança energética justa", permitindo que o interior receba novas indústrias sem depender de tubulações distantes.
Com o avanço da tecnologia e políticas públicas mais claras, o biometano deixa de ser um "monstrinho" desconhecido para se tornar o protagonista da descarbonização brasileira.