Economia

Piores formas de trabalho infantil caem ao menor nível desde 2016 no Brasil

Maioria dos jovens em ocupações de risco é do sexo masculino e de cor preta ou parda

Maioria dos jovens em ocupações de risco é do sexo masculino (74,4%) e de cor preta ou parda
Maioria dos jovens em ocupações de risco é do sexo masculino (74,4%) e de cor preta ou parda Foto : Valter Campanato / Agência Brasil

O Brasil registrou uma queda no número de crianças e adolescentes em piores formas de trabalho infantil (Lista TIP). Em 2024, cerca de 560 mil jovens, entre 5 e 17 anos, estavam em ocupações que fazem parte da Lista TIP, o menor contingente desde o início da série histórica em 2016. Esse número representa uma redução de 5,1% em relação a 2023, ano em que a queda já havia sido acentuada. Os dados são do módulo experimental de Trabalho de Crianças e Adolescente de 5 a 17 anos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE.

Apesar da redução, o cenário ainda apresenta desigualdades. A maioria dos jovens em ocupações de risco é do sexo masculino (74,4%) e de cor preta ou parda (67,1%).

As piores formas de trabalho infantil afetam mais os jovens de 5 a 13 anos (60,8%). No grupo de 14 e 15 anos, esse percentual foi de 51,8%. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, 30,8% estavam nessa condição.

Desigualdades e condições de trabalho

As desigualdades de rendimento por sexo e cor ou raça se refletem no trabalho infantil. O rendimento médio dos jovens que exerciam ocupações da Lista TIP era de apenas R$ 789 por mês, um valor inferior aos ganhos dos jovens que realizam outras atividades. O rendimento médio de meninos é superior ao de meninas, e o de brancos é maior do que o de pretos ou pardos.

A taxa de informalidade entre adolescentes de 16 e 17 anos atingiu o menor nível desde 2016, mas ainda afeta 69,4% desses jovens, ou seja, cerca de 756 mil. A maioria das crianças e adolescentes em trabalho infantil atuam no setor de Comércio e reparação de veículos (30,2%) e na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (19,2%).

Além disso, a pesquisa revela que o trabalho produtivo não isenta os jovens das responsabilidades domésticas. Cerca de 54,1% das crianças e adolescentes realizavam afazeres domésticos ou cuidavam de pessoas, sendo que a proporção sobe para 74% entre aqueles que já exerciam atividades econômicas.

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