Produção industrial reage e abre o 2º semestre com alta de 0,6%, mostra IBGE

Produção industrial reage e abre o 2º semestre com alta de 0,6%, mostra IBGE

Setor responsável por mais de 20% do PIB nacional ainda figura em um patamar 0,8% inferior ao nível pré-pandemia

R7

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Depois de encerrar o primeiro semestre em queda, a produção industrial brasileira cresceu 0,6% em julho, de acordo com informações reveladas nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com a variação positiva, o setor responsável por mais de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país — agora se encontra 0,8% abaixo do nível de fevereiro de 2020, o último mês sem os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia nacional.

Na comparação com patamar mais alto da série, alcançado em maio de 2011, o resultado ainda é 17,3% menor do que o nível recorde. Apesar da sequência de altas, a indústria ainda acumula queda de 2% neste ano e de 3% no intervalo de 12 meses. Na comparação com julho de 2021, houve queda de 0,5% da produção industrial no Brasil.

André Macedo, gerente responsável pela PIM (Pesquisa Industrial Mensal), avalia que setor industrial ao longo do ano de 2022 vem mostrando uma maior frequência de resultados positivos, com quedas registradas apenas nos meses de janeiro (-1,9%) e junho (-0,3%).

"São cinco meses de crescimento em sete oportunidades. Nesses resultados, observa-se a influência das medidas governamentais de estímulo e que ajudam a explicar a melhora registrada no ritmo da produção. Mas vale destacar que ainda assim a produção industrial não recuperou as perdas do passado", explica Macedo.

Atividades

Na análise dos segmentos que integram o setor industrial, a maior influência positiva para a reação apurada no mês de julho partiu da produção de produtos alimentícios (+4,3%). Trata-se do terceiro mês seguido de avanço na produção para a atividade industrial, com um ganho acumulado de 7,3% no período.

“Esse crescimento foi bastante disseminado entre os principais itens dessa atividade. Desde o açúcar que tem uma alta importante para esse par de meses, até carnes bovinas, suínas e de aves, além dos laticínios e dos derivados da soja”, destaca André Macedo.

Outras contribuições positivas no mês vieram das indústrias de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+2%), que voltou a crescer após recuar 1,3 em junho, e indústrias extrativas (+2,1%), que acumula expansão de 5% com dois meses consecutivos de taxas positivas. Por outro lado, os ramos de máquinas e equipamentos (-10,4%), outros produtos químicos (-9%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,7%) exerceram os principais impactos negativos em julho de 2022.

“A atividade de máquinas e equipamentos foi diretamente afetada pelos itens que ficam dentro da indústria, tanto a de produção seriada quanto aquela feita sob encomenda, e que são associadas aos investimentos dentro do setor industrial e a modernização e ampliação do parque produtivo”, destaca Macedo.

No mês, duas das quatro grandes categorias econômicas avançaram frente a junho. A maior variação positiva veio de bens intermediários (2.2%) que eliminou a perda do mesmo valor acumulado nos meses de maio e junho de 2022. Os bens de consumo semi e não duráveis (1,6%) também demonstraram crescimento após recuar 0,9% no mês anterior.

Em contrapartida, os setores produtores de bens de consumo duráveis (-7,8%) e de bens de capital (-3,7%) recuaram nesse mês, com a primeira interrompendo dois meses consecutivos de crescimento, período em que acumulou avanço de 10,2%; e a segunda intensificando a queda de 1,9% registrada no mês anterior.

Macedo também destaca que esse saldo negativo da indústria se deve não somente pelas restrições de ofertas de insumos e componentes eletrônicos para a produção do bem final, mas também, pelo lado da demanda doméstica, dos impactos negativos que já são observados há algum tempo. “São juros e inflação em patamares mais elevados. Isso aumenta os custos de crédito, diminui a renda disponível por parte das famílias e faz com que as taxas de inadimplência permaneçam em patamares mais elevados”, analisa o pesquisador.

Outro fator citado com influência negativa para a produção industrial são as características do mercado de trabalho atual. “Mesmo com a redução das taxas de desocupação nos últimos meses ainda se percebe um contingente elevado de trabalhadores fora desse mercado de trabalho e uma piora nas condições de emprego que são gerados”, completa Macedo.


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