Economia

Reforma da Previdência anterior tornou mais complexa a situação fiscal, diz presidente do INSS

Pedidos de Benefício de Prestação Continuada passaram de 621 mil para mais de 1 milhão em dois anos

Reforma previdência não abordou de forma adequada o acúmulo de compromissos futuros, aponta  Stefanutto
Reforma previdência não abordou de forma adequada o acúmulo de compromissos futuros, aponta Stefanutto Foto : Rafa Neddermeyer / ABr / Divulgação CP

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, disse nesta terça-feira, 23, que a reforma previdenciária realizada durante o governo anterior 'complexificou' a situação fiscal do Brasil.

'Quanto à reforma feita ainda no governo anterior, claro que é uma reforma paramétrica. Essas reformas paramétricas empurram para frente, deixam a situação fiscal para frente complexa, e naquele momento inicial teve uma folga fiscal', afirmou em entrevista à GloboNews. Segundo Stefanutto, a reforma previdenciária realizada anteriormente não abordou de forma adequada o acúmulo de compromissos futuros e as mudanças nas condições econômicas e demográficas do Brasil.

'O IBGE acabou de anunciar há algumas semanas atrás o fim da transição demográfica. Nós somos um país onde temos agora uma tendência de diminuição do nascimento de crianças e do aumento da expectativa de vida - o que é uma boa notícia -, mas por outro lado, isso traz um acúmulo de compromisso com a Previdência.' Stefanutto também abordou a questão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que teve um aumento significativo nos requisitos nos últimos anos.

Veja Também

Dados do INSS mostram que o número de pedidos do BPC saltou de 621 mil no primeiro semestre de 2022 para mais de 1 milhão no mesmo período de 2024. O presidente do INSS atribuiu esse aumento à uma 'barrigada fiscal' do governo anterior que, segundo ele, deixou muitas pessoas esperando por benefícios, criando um 'colchão fiscal' que, ao ser ajustado, revelou o verdadeiro montante de gastos a ser enfrentado.

A fala do presidente do INSS ocorre no momento em que o INSS está se preparando para iniciar um extenso processo de revisão de benefícios, conhecido como 'pente-fino', que deve revisar cerca de 680 mil pagamentos ainda este ano. Segundo ele, a revisão se concentra em dois tipos de benefícios: o Benefício por Incapacidade Temporária e o BenPREVIDefício de Prestação Continuada (BPC). A meta é garantir a regularidade dos benefícios e prevenir fraudes.

A revisão será feita com base em cruzamentos de dados e daqueles que tiverem direito, continuarão recebendo o benefício. 'O objetivo é garantir que os recursos sejam utilizados de maneira eficiente e que somente aqueles que realmente mantêm o benefício', ressaltou. A expectativa é que o pente-fino traga um ajuste nos pagamentos, garantindo maior controle sobre o gasto público e o cumprimento das normas de concessão de benefícios.

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio