O corte de R$ 488 milhões em verbas a serem destinadas às universidades e institutos federais em 2026, por meio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), segue repercutindo e gerando preocupação nas instituições de Ensino Superior. A medida tomada pelo Congresso Nacional neste mês (19/12), foi logo rebatida (23/12) pela associação nacional dos reitores (Andifes) e seguida por entidades do setor educacional e de ciência e tecnologia do país.
Ufrgs
No Estado, Marcia Barbosa, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), explica que o orçamento encaminhado pela Universidade, de R$ 200,5 milhões, já era considerado “bem apertado”. Com o novo montante de R$ 186 milhões, entretanto, classifica a situação como “desesperadora”.
Conforme a dirigente, “a melhor universidade federal do país foi cortada, e eu vou ter que continuar mantendo esta melhor federal do país. Me apavora o fato de que eu não vou poder pagar a energia elétrica”.
O corte em assistência estudantil é outro fator que destaca. “Existe uma lei, aprovada pelo próprio Congresso, onde 50% das vagas das universidades federais devem ser preenchidas por estudantes de escolas públicas. E como, muitos deles, são de vulnerabilidade social, é preciso assistência estudantil para que terminem a faculdade”, completa.
IFRS
Júlio Heck, reitor do Instituto Federal do RS (IFRS) e eleito presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação (Conif) para 2026, relata a mesma inquietação. No IFRS, informa que o valor diminuiu 7,2% do previsto no Ploa, em agosto/2025, caindo de R$ 91,6 milhões para R$ 85 milhões.
Júlio aponta que “representa em torno de 1/12 avos a menos. Imagina você se programar para um ano de 12 meses e, de repente, vem a notícia de ter dinheiro para apenas 11?”, exemplifica. “Cada campus terá que discutir internamente”, entre assistência estudantil, projetos de pesquisa e extensão, obras e reformas, visitas técnicas, compras de insumos. Por isso diz que as unidades terão que escolher de onde o dinheiro será cortado.
Recomposição
Quanto à recuperação do montante cortado, ambos os reitores acreditam que o valor poderá ser compensado via Ministério da Educação (MEC). Júlio revela que o Conif já está em tratativas, havendo garantia do ministro da Educação, Camilo Santana, ainda antes da medida ser anunciada. “Ele tinha anunciado que se acontecessem cortes na Educação, pelo Congresso, seria feito um trabalho para viabilizar uma recomposição ainda no início de 2026. Mesmo assim, não é o ideal, pois o dinheiro vai sair do próprio MEC.”
Ainda que também esteja otimista com uma possível compensação de recursos, Marcia assegura que seguirá pautando este assunto. “Ao mesmo tempo que tenho esperança que o MEC poderá recompor, é muito injusto o que está acontecendo. Precisamos, como país, discutir o fato. Os parlamentares podem estar preparados, pois vou bater muito neste tema no ano que vem”, adianta a reitora da Ufrgs.
*Sob orientação de Maria José Vasconcelos