Ensino

Desigualdade no acesso à Creche aumenta no Brasil

Pesquisa revela grandes disparidades no acesso à Educação Infantil, variando conforme a região e renda familiar de crianças até 3 anos

A análise revela grandes disparidades regionais no acesso à Educação Infantil, evidenciando a necessidade de uma coordenação nacional para enfrentar essas desigualdades
A análise revela grandes disparidades regionais no acesso à Educação Infantil, evidenciando a necessidade de uma coordenação nacional para enfrentar essas desigualdades Foto : PEDRO PIEGAS / PMPA / CP

O número de crianças de até 3 anos de idade matriculadas em Creches no país cresceu 41,2%. No entanto, ainda não atingiu a meta, de 50%, estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024. O dado nacional foi divulgado nesta segunda-feira (11/8) pelo movimento “Todos Pela Educação”, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) e no Censo Escolar. E o estudo apontou que 2,3 milhões de crianças brasileiras nessa faixa etária não conseguem ingresso por falta de acesso.

Outro destaque da pesquisa é o aumento da desigualdade social. Assim, ao avaliar um período de 9 anos (2016-2024), observou-se expansão de matrículas de crianças que fazem parte da parcela de 20% das mais ricas do Brasil, de 44,5% (2016) para 60,0% (2024). Enquanto na faixa das 20% mais pobres, foi de 22,5% (2016) para 30,6% (2024). A diferença passou de 22% (em 2016) para 29,4% (em 2024).

A análise do Todos Pela Educação é que, apesar da proporção de crianças que não frequentam a Educação Infantil por opção dos pais ser relativamente parecida em ambas as faixas de renda, 36,5%, para a parcela com menor renda; e 30,2%, para a com maior; a disparidade cresce em relação a ausência das crianças por problemas de acesso, de 28,3% (entre os 20% mais pobres) e 6,1% (os 20% mais ricos).

Quando se trata de recém nascidos, o número de atendimentos é ainda menor: 18,6% de bebês com até 1 ano frequentam as Creches. E, de acordo com o levantamento, a cada quatro bebês brasileiros com essa idade 24,8% não frequentam a etapa escolar por falta de acesso; e o número cresce para 34% no recorte da população mais pobre.

Por fim, os estudos recentes apresentados sinalizam ainda que existe um “avanço tímido” no número de matrículas entre crianças de 4 a 5 anos de idade (Pré-Escola), com 94,6% de cobertura desse público. E, por último, indica que há desigualdade no acesso escolar no âmbito geográfico, pois verifica-se que as regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores, tanto no atendimento em Creches, quanto em Pré-Escolas.

Dados

  • A análise revela grandes disparidades regionais no acesso à Educação Infantil, evidenciando a necessidade de uma coordenação nacional para enfrentar essas desigualdades.
  • As regiões Norte e Nordeste concentram os indicadores mais críticos, tanto em Creche quanto em Pré-Escola.

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