Ensino

Dia do Estudante intensifica agenda no país

Data também assinala o aniversário da UNE, que, em 2025, completa 88 anos. No dia 19/8, será empossada a nova direção estudantil, presidida por Bianca Borges, que aponta a soberania nacional como foco desta gestão

A paulista Bianca Borges (C), que já presidiu a União  Estadual dos Estudantes de SP, estará a frente da UNE nos próximos dois anos.  Mas o comando estudantil é amplo. A Diretoria Executiva tem 14 integrantes; e a Diretoria Plena soma mais de 70 lideranças pelo país
A paulista Bianca Borges (C), que já presidiu a União Estadual dos Estudantes de SP, estará a frente da UNE nos próximos dois anos. Mas o comando estudantil é amplo. A Diretoria Executiva tem 14 integrantes; e a Diretoria Plena soma mais de 70 lideranças pelo país Foto : Karla Boughoff / UNE / CP

Desde 1927, o 11 de agosto integra o calendário da Educação brasileira como Dia Nacional do Estudante. A data surge motivada pela criação dos primeiros cursos de Ensino Superior no país, pelo imperador Dom Pedro I, em 1827 – as faculdades de Direito em Olinda (PE) e em São Paulo (SP).

Com a data instituída, desde então, a semana envolve várias atividades e atos pelo Brasil, para mobilizar, celebrar e debater temáticas estudantis.

Somado ao fato histórico, o dia também registra o aniversário da União Nacional dos Estudantes (UNE), que, em 2025, completa 88 anos. Fundada em 1937, no Rio de Janeiro (RJ), com a intenção de ser uma forma de combate ao nazifascismo crescente da época, a maior entidade estudantil da América Latina conta com momentos marcantes na luta por direitos educacionais, como a destinação de 10% do PIB brasileiro ao setor, garantido no último Plano Nacional da Educação (PNE).

Com agenda intensificada, a UNE se prepara para nova gestão. Em 20/7, a entidade elegeu a paulista de 25 anos, Bianca Borges, para assumir a presidência nacional, entre 2025 e 2027. “É um momento ímpar. Será uma semana intensa em defesa da Educação e do Brasil”, considera a jovem.

A partir de segunda-feira (11/8), a UNE promoverá atos até quinta-feira, em vários estados brasileiros. No RS, a principal mobilização ocorrerá no próprio 11/8, às 12h, no Campus Centro da Universidade Federal do RS (Ufrgs), em Porto Alegre. E às 18h, no mesmo local, será exibido o filme “Batalha da Rua Maria Antônia”, sobre a tentativa de organização de congressos estudantis nos primeiros anos de regime militar no Brasil.

UNE tem nova gestão

A posse oficial da nova gestão da UNE será dia 19/8, em Brasília. Por isso, atualmente, a entidade trabalha na definição dos demais cargos de direção. “A gestão é eleita de modo proporcional. Essa é uma das riquezas da UNE, que tem mais de 20 movimentos políticos na sua diretoria.” Bianca explica que as chapas participantes na eleição têm um número de cargos conforme a proporção de votos recebidos na eleição. A Chapa 3, liderada por Bianca, obteve 82,62% dos votos. Ao todo, a Diretoria Executiva é formada por 14 pessoas; enquanto a Diretoria Plena, que reúne todas as pastas e representações estudantis estaduais, tem mais de 70.

Como pauta principal para o próximo período, Bianca revela a garantia da soberania nacional no foco da gestão. Além disso, cita: regulamentação do Ensino Superior privado; recomposição orçamentária plena das universidades federais; e políticas de assistência que mantenham os estudantes dentro das universidades. “Se avançamos muito na democratização, falta a promoção da permanência. Quantas pessoas têm que abandonar seu sonho, sem condições de permanecer ?”, reflete. Conforme a dirigente, apesar do avanço em democratização do acesso, a UNE entende que as matrículas no Ensino Superior ainda estão concentradas em grupos privados, muitos deles que deixam a desejar na qualidade da formação.

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Por fim, Bianca afirma que a reforma universitária também será bandeira a defender, pois entende que a reforma universitária está para a UNE, assim como a reforma agrária está para o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “Tivemos reforma universitária no Brasil nos anos 70, talvez. Faz tempo. Precisamos debater a universidade para a atualidade, com desafios do desenvolvimento, não só econômico e científico, mas também social.” Por isso, diz que o currículo deve valorizar maior gama de saberes, e dar mais importância ao papel extensionista e emancipador das faculdades.

O cenário atual para o avanço dessa agenda estudantil junto ao Executivo e Legislativo federal é complexo, na opinião de Bianca. Argumenta que a UNE é uma entidade independente do governo, e, apesar da presença em diversas comissões e ministérios que debatem temas relevantes para a Educação, nesta atual presidência da República, assinala divergências muito grandes na frente ampla estabelecida na última eleição no país.

“O governo atual tem uma característica democrática forte, mas também é um governo em disputa, por se tratar de uma coalizão. Justamente por essa característica, apresenta uma série de desafios e contradições”, entende Bianca, que cita a pressão de setores privatistas na agenda do atual governo. Por isso, percebe que existe um pêndulo como resultado da disputa, que, a cada hora, pende para um lado.

*Sob supervisão da jornalista Maria José Vasconcelos