O surfista vem mudando de figura. E arquétipos de profissionais também. No caso médico, o jaleco branco pode se transformar em pranchas coloridas, sem perder a essência de defesa da vida e saúde. É o que acontece com os médicos surfistas, que estão reunidos em agremiação nacional há 25 anos - a Associação Brasileira de Surf Médico (Abrasmed). Nesse tempo, a entidade amplia sua atuação e atrai mais gerações de médicos e de familiares surfistas, muitos, agora, unidos pelo surf, da infância até a idade pra lá de adulta.
Este ano, na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), o “25° Campeonato Surf Médico da Abrasmed” - realizado em maio, mas com anúncio e projeção de avanços na área médica até o final do ano - mobilizou a categoria. O evento esportivo anual também integra as famílias e promove atividades de ensino, saúde e cultura.
Juliano Cardoso, presidente da Abrasmed e incansável promotor do surf médico, explica que a Associação desenvolve diversos trabalhos, desde culturais e educativos, até diretamente vinculados à Medicina. Assim, durante o ano ou acompanhando eventos médicos, se agregam serviços a comunidades, como informes, orientações, atendimentos, capacitações ou palestras na área de saúde e prevenção. E simpósios reúnem profissionais para atualização e debates.
Entre as novidades da Abrasmed para 2025, o dirigente revela projeto de parcerias internacionais para serviços médicos; o desenvolvimento do surf médico em âmbito profissional; e o lançamento da especialidade de estudos em Medicina do Surf.
Destaque Gaúcho
Como parte especial do campeonato, Juliano Cardoso assinalou que foram homenageados quatro profissionais gaúchos, pela idealização, coordenação, participação e pelo desenvolvimento do Projeto Telemed SOS RS, realizado no período das enchentes no Estado, em 2024. Foram os médicos Caio Scocco, Cristiano Pederneiras Jaeger, Renato Calcanhoto e Luigi Massaro. Por meio dessa iniciativa, o presidente da Abrasmed lembra que centenas de famílias atingidas pelas águas foram atendidas em abrigos, obtendo, desde orientação em saúde até consulta, serviços e receitas médicas on-line.
O cardiologista Cristiano Jaeger, que despontou na experiência piloto do TeleMed SOS RS, em Porto Alegre, avalia que foi ação “superpositiva, com uma demora inicial – relativa à verba, compra e treinamento –, mas que, hoje, está com tudo pronto para prestar ágil atendimento em casos de catástrofes”. Ele lembra que, entre maio e o final do ano passado, junto a abrigos, foram casos de pessoas que precisavam de informes sobre medicação, de receitas (inclusive geradas on-line) ou que se encontravam em processo agudo de problemas de saúde, que obtiveram orientação e encaminhamento em período crítico vivido no RS.
Já em relação ao surf médico e às atividades da Abrasmed, Cristiano não apenas participa como tem paixão e contagia a família. Os filhos Enrico e Fernando (gêmeos, com 9 anos) e a esposa Daiana são companhias constantes. Os meninos, que vão desde os 5 anos de idade nos campeonatos, passam o ano esperando pelo evento. E também são surfistas, integrando a categoria “Filhos”. Nesta edição, Fernando conquistou 2° lugar; e Enrico, 4°. Para Fernando, esporte, amizade e diversão agradam demais. “Gosto de tudo e pratico também outros esportes, como futebol, tênis, skate e pingue-pongue. Mas quero seguir o surf profissional”, garante. Já para Enrico, a prancha agrada, mas tem predileção pela bola de futebol. E nessa onda, Daiana garante forte apoio a todas as atividades, que envolvem muita integração e vida saudável.