Os resultados da 1ª edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foram confirmados pelo presidente do Instituto do Ministério da Educação (Inep/MEC), Manuel Palacios, nesta semana (20/1). O dirigente reconheceu “incorreção na comunicação prévia com as instituições”, mas assegurou que o fato não interferiu no cálculo dos indicadores avaliados.
A explicação ocorre em meio a reclamações e pedidos por esclarecimentos técnicos, de Instituições de Ensino Superior (IES), após cerca de 1/3 (107) dos cursos de Medicina avaliados serem qualificados como “insuficientes”, pelos critérios do Inep. O Exame, a partir da análise de competências e habilidades dos estudantes concluintes dos cursos, avaliou 351 IES públicas e privadas no país, utilizando conceitos de 1 a 5; e indicando sanções para baixos desempenhos.
No RS, as universidades do Vale do Taquari (Univates), com sede em Lajeado; Luterana do Brasil (Ulbra), Canoas; e Atitus Educação, Passo Fundo, tiveram conceito 2. E comunicaram entrar com pedidos formais de esclarecimentos.
O presidente do Inep, no entanto, reforçou que “os resultados são válidos, estão corretos e não há qualquer intercorrência em sua publicação, tanto daqueles que participaram e receberam o boletim por meio da plataforma do participante, quanto a publicação recente dos resultados”.
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Entidades
Para o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, o resultado é inquietante, mas confirma um alerta já feito. “São mais de 13 mil graduados em Medicina que receberão diploma e registro para atender a população, sem terem competências mínimas para exercer a Medicina. Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”, assinalou o médico.
Já a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) apontou, em nota, que após a aplicação das provas e divulgação dos resultados aos estudantes e às instituições, o Inep publicou sucessivas notas técnicas alterando e complementando critérios metodológicos depois de encerrado o exame e do prazo de recursos. E acrescentou que os dados não batem com os divulgados agora.
No Rio Grande do Sul
Para o reitor da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), Ir. Manuir Mentges, o ótimo resultado “reafirma um compromisso institucional que vai além dos indicadores: formar médicos com excelência técnica, ética e sensibilidade humana”.
E a coordenadora do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Maria Eugênia Pinto, disse que o alto desempenho reflete as mudanças curriculares promovidas, e o incentivo à formação continuada de professores.
Desempenho
- O Enamed envolveu 89.024 estudantes e profissionais de Medicina, sendo 39.258 (44%) concluintes dos cursos.
- A proficiência média das IES, por rede, foi: federais, com 83,1% (6.502 estudantes); estaduais, 86,6% (2.402 alunos); privadas, 57,2% (15.409 estudantes); e municipais, com 49,7% (944 acadêmicos).
- No RS, as duas IES que conquistaram o conceito máximo (5) foram PUCRS (1° lugar) e UFCSPA (2°), ambas com campus sede na Capital.