Ensino

Moradores da Bom Jesus, em Porto Alegre, protestam contra fim do 6º ano do Ensino Fundamental em escolas municipais

Protesto foi conduzido pela comunidade escolar dos colégios municipais Mariano Beck e Nossa Senhora de Fátima, que perderão as turmas a partir de 2026

Comunidade escolar da EMEF José Mariano Beck, do bairro Bom Jesus, protesta na Av. Ipiranga em contrariedade à retirada do 6º ano da rede municipal de ensino
Comunidade escolar da EMEF José Mariano Beck, do bairro Bom Jesus, protesta na Av. Ipiranga em contrariedade à retirada do 6º ano da rede municipal de ensino Foto : Camila Cunha

Cerca de 50 moradores do bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, protestaram na manhã desta terça-feira na avenida Ipiranga, na altura do Centro Administrativo de Contingência, sentido Centro, contra a medida da Secretaria Municipal de Educação (Smed) que modifica os sextos anos do Ensino Fundamental na Capital, transferindo alunos de 12 colégios municipais para a rede estadual de ensino a partir do ano letivo de 2026. Entre as escolas afetadas, estão a Mariano Beck e a Nossa Senhora de Fátima, ambas na Bom Jesus. Foi o quinto protesto sobre a mesma pauta em um curto período, segundo os manifestantes. Com cartazes e palavras de ordem, eles permaneceram sobre a avenida enquanto o semáforo estava fechado.

"Isso afeta principalmente as mães solteiras da comunidade, porque a maioria tem dois, três filhos na mesma escola. Como uma mãe vai levar crianças até mais longe? O governo precisa entender que quem manda na comunidade é a gente. Os professores e a comunidade não foram consultados, então é um ataque à educação pública, algo antidemocrático", disse uma das estudantes e lideranças do protesto, Marlise Machado de Lucena. Com a mudança, as crianças devem ser realocadas para a Escola Estadual Coelho Neto, porém, ainda segundo eles, há risco maior de evasão escolar. Os vereadores Erick Dênil e Juliana de Souza também estiveram presentes, e criticaram o que classificaram como "violação do direito à educação".

Na prática, a interpretação dos manifestantes é a de que a mudança deve aumentar a evasão escolar, visto que, diante da vulnerabilidade e da ausência de segurança, os alunos poderão abandonar os estudos ainda no 5º ano, e não mais no 9º ano, como muitos o faziam. Em nota, a Smed disse que a rede municipal de ensino "passará por um processo gradativo de reorganização da oferta educacional em regime de colaboração com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc)".

"A medida reflete o compromisso conjunto da Prefeitura de Porto Alegre e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul com a oferta pública de qualidade, o fortalecimento do regime de colaboração e a observância das competências constitucionais de cada ente federativo". A Defensoria Pública do Estado (DPE/RS) havia ingressado com uma ação civil pública no final de outubro, pedindo que as matrículas fossem mantidas abertas, justificando o impacto da medida para mais de 800 alunos. No entanto, o Tribunal de Justiça do RS (TJRS) negou o pedido.

Sobre a decisão, a Smed disse, também em nota, que ela "confirma a legalidade e a legitimidade do processo de reorganização da Rede Municipal de Ensino conduzido pela Smed, em regime de colaboração com a Seduc", e que "todas as vagas dos estudantes continuam asseguradas dentro do zoneamento escolar e que todas as medidas adotadas seguem critérios técnicos, legais e pedagógicos, visando aprimorar a qualidade da educação e garantir o uso responsável dos recursos públicos".

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Leia as notas da Smed

Nota 1: A Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre informa que, a partir do ano letivo de 2026, a Rede Municipal de Ensino passará por um processo gradativo de reorganização da oferta educacional, em regime de colaboração com a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC).

O Município, em conformidade com o artigo 211 da Constituição Federal e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), concentrará sua atuação prioritariamente na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, enquanto o Estado ampliará a oferta de turmas de 6º ano do Ensino Fundamental em escolas estaduais. Essa reorganização envolve 12 escolas municipais, que passarão a ofertar exclusivamente os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, de forma progressiva.

A implementação ocorrerá de maneira gradual e articulada: o Município ampliará o número de turmas de 1º ano do Ensino Fundamental, enquanto o Estado assumirá a abertura de novas turmas de 6º ano, assegurando o atendimento à totalidade dos estudantes e a continuidade de suas trajetórias escolares.

Nas escolas municipais em processo de transformação, as turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) atualmente em funcionamento serão mantidas até a conclusão do 9º ano, garantindo que todos os alunos concluam o ciclo na própria unidade escolar, sem prejuízo pedagógico ou de vínculo com a comunidade.

A medida reflete o compromisso conjunto da Prefeitura de Porto Alegre e do Governo do Estado do Rio Grande do Sul com a oferta pública de qualidade, o fortalecimento do regime de colaboração e a observância das competências constitucionais de cada ente federativo.

Nota 2: A decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul confirma a legalidade e a legitimidade do processo de reorganização da Rede Municipal de Ensino conduzido pela Secretaria Municipal de Educação (Smed), em regime de colaboração com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

O mesmo tribunal já havia julgado improcedente uma ação semelhante proposta contra a Seduc, reconhecendo, nas duas ocasiões, que o planejamento está sendo conduzido em conformidade com a legislação vigente.

A Smed ratifica que a medida está alinhada à Constituição Federal, à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) e às diretrizes do Plano Municipal de Educação.

A Smed tambem reforça que todas as vagas dos estudantes continuam asseguradas dentro do zoneamento escolar e que todas as medidas adotadas seguem critérios técnicos, legais e pedagógicos, visando aprimorar a qualidade da educação e garantir o uso responsável dos recursos públicos.

A Secretaria reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade na gestão e o direito à educação de qualidade para todas as crianças e adolescentes de Porto Alegre.