Ensino

Vestibular da Ufrgs: acolhida, recorde e expectativa pelo gabarito

Resultado preliminar será divulgado nesta segunda-feira. Listão sai no dia 22

Um dos principais locais de prova foi o Campus Central, em Porto Alegre
Um dos principais locais de prova foi o Campus Central, em Porto Alegre Foto : Camila Cunha

O Vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) 2026, neste fim de semana, foi marcado por temperaturas elevadas, calor humano e recorde de participantes. A expectativa, agora, é pela divulgação do gabarito preliminar, previsto para esta segunda-feira, 1º, a partir das 9h.

A edição deste ano contou com o maior número de inscritos dos últimos concursos, e cerca de 5% a mais que a edição anterior, conforme a Universidade. Ao todo, mais de 22,7 mil pessoas estavam aptas para a realização das provas. A abstenção não foi divulgada pela organização até a publicação desta matéria. Já o listão de aprovados está programado para o dia 22 de dezembro.

No sábado foram aplicados os testes de Língua Portuguesa, Literatura em Língua Portuguesa, História, Geografia e Matemática. No domingo foi da vez das provas de Língua Estrangeira, Física, Química, Biologia e Redação.

Nos dois dias do concurso, os momentos que antecederam a liberação dos portões contou com programação de acolhida aos candidatos, promovida pela Ufrgs em Porto Alegre e em outras cinco cidades do RS. E não faltou o tradicional apoio dos amigos e familiares se despedindo dos vestibulandos com abraços e mensagens de incentivo.

É o caso da Fernanda Zluhan, de Triunfo, que veio a Porto Alegre acompanhar o filho, Vicente Vargas, de 17 anos. Emocionada, ela conta que fez questão de ir até o portão do prédio onde o jovem prestou o exame. E nos dois dias ela o aguardou no local até o fim das provas. Vargas prestou o vestibular para o curso de Ciências Jurídicas (Direito).

“Na idade dele, passar na Ufrgs é um sonho. Ele ficou o ano inteiro se preparando para isso. É um momento, para mim, bem emocionante”, contou a mãe do vestibulando.

A estudante Giovana Carlotto, 17 anos, participou como treineira, pois ainda não completou o Ensino Médio. "Como é para treinar, estou um pouquinho mais descontraída. Mas ainda assim, é uma ansiedade para conhecer a prova e saber como funciona", afirmou a jovem, antes da maratona do sábado.

Ela estava acompanhada dos pais, Lúcia Charão Carlotto e Giovani Carloto. Formado em Administração, ele estudou no mesmo prédio que a filha prestou o Vestibular. "Nesse ano ela vai fazer um treinamento, então a gente está mais na expectativa mesmo do conhecimento da prova", conta o pai.

Em um dos principais locais de prova, no Campus Central, a movimentação foi intensa. Na Capital, foram 2.472 candidatos, com aplicações nas faculdades de Educação, Ciências Econômicas e Arquitetura.

Dos 22.743 aptos para a realização das provas, 10.553 candidatos residem em Porto Alegre; 10.960 em outros municípios; e 1.230 são de fora do Rio Grande do Sul – as principais cidades de origem são Florianópolis (81), São Paulo (72), Criciúma (66), Curitiba (62) e Chapecó (49).

Redação aborda evasão e abandono escolar

A prova de Redação, aplicada neste domingo, pautou os motivos da evasão e do abandono escolar. Os vestibulandos foram instados a produzir um texto dissertativo, baseado nas opiniões do economista, pesquisador, professor e ciclista Michael França, “Estudar? Para quê?”, publicado na Folha de S.Paulo em setembro deste ano na coluna de Opinião.

França, aborda o tema a partir de uma crítica ao “mito da educação como principal passaporte para a ascensão social e diminuição das desigualdades”. Segundo o autor, esse discurso ignora o ponto fundamental de que o retorno da educação é menor para muitos que vêm de origens desfavorecidas. “Quando chegam ao mercado, eles enfrentam discriminação e têm menos oportunidades do que os filhos das elites”, sustenta. Além disso, aponta que não se pode depositar todo o peso de uma sociedade excludente nas costas das escolas e dos professores. “Não cabe a eles a tarefa de operar milagres”.

A situação apresentada aos candidatos, explicava que, após a publicação, devido a uma série de comentários recebidos pelo artigo, o jornal resolveu produzir uma edição especial de caderno com textos que discutem de forma substancial as ideias do artigo. O critério para a publicação era o texto ter sido previamente escolhido por uma escola, sendo representativo do debate feito no interior dessa instituição.

Na escola, além do artigo de França, foi sugerida a leitura da Introdução do estudo “Evasão escolar e o abandono: um guia para entender esses conceitos”, publicado no Observatório de Educação Ensino Médio e Gestão do Instituto Unibanco.

O estudo aborda o papel da escola para potencializar vínculos sociais, desenvolver habilidades físicas e cognitivas e de tornar os alunos agentes sociais. Além disso, afirma que há razões diversas para abandono e evasão escolar. Conforme o enunciado da prova, o texto tem caráter predominantemente informativo, pois nele são fornecidos dados que ilustram o problema da evasão escolar no Brasil e apontadas possíveis causas disso.

A prova de Redação requereu, então, que o vestibulando assumisse um ponto de vista em relação ao artigo, utilizando o levantamento informativo presente na “Introdução”.

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