Carrefour fecha acordo de R$ 115 milhões após morte de Beto Freitas em 2020

Carrefour fecha acordo de R$ 115 milhões após morte de Beto Freitas em 2020

Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) é chancelado pelo Ministério Público e prevê investimentos em ações antirracistas

Correio do Povo

Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) é chancelado pelo Ministério Público após morte de Beto Freitas em 2020

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O Carrefour fechou nesta sexta-feira, 11, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com autoridades do Rio Grande do Sul após a morte de João Alberto Silveira Freitas, o Beto Freitas. O documento prevê o pagamento de R$ 115 milhões em ações antirracistas. O caso ocorreu em novembro de 2020 em uma unidade do supermercado em Porto Alegre. 

"O termo assinado não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é mais uma medida tomada com o objetivo de ajudar a evitar que novas tragédias se repitam. Com este novo passo, o Grupo Carrefour Brasil reforça sua postura antirracista, ampliando sua política de enfrentamento à discriminação e à violência, bem como da promoção dos direitos humanos em todas as suas lojas", afirmou em nota à imprensa Noël Prioux, presidente do Grupo Carrefour Brasil.

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O grupo afirmou que os membros da família da vítima foram indenizados, o modelo de segurança nas lojas foi internalizado e compromissos assumidos vêm sendo postos em prática com objetivo de combater o racismo e promover a equidade.

O TAC foi celebrado entre o Carrefour e o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande Do Sul, a Defensoria Pública da União e as entidades Educafro e Centro Santo Dias.

"Boa parte do recurso financeiro será destinado à concessão de bolsas de estudos para pessoas negras, de nível superior e de pós-graduação. Haverá ainda bolsas voltadas para a aprendizagem de idiomas, inovação e tecnologia, com foco na formação de jovens profissionais para o mercado de trabalho. Ao todo serão mais de 10 mil bolsas", informou o grupo ao afirmar que os recursos devem comtemplas ações voltadas à educação.

O plano de ações, acrescentou, conta também com a promoção do empreendedorismo entre pessoas negras e aceleração de empresas. "Há ainda a implementação de política de Tolerância Zero, treinamento contínuo de todos os profissionais que atuam no Grupo Carrefour Brasil em relação ao letramento racial e ao combate de todo o tipo de discriminação e violência, bem como o fortalecimento do canal de denúncias. Todas as três ações já em implementação na Companhia."

O Carrefour destacou que, atualmente, 64% dos profissionais da rede se declaram negros ou pardos. Em nota, também anunciou que terá um programa de estágio e de trainees voltados para negras e negros e ainda pretende acelerar a carreira de 300 profissionais negros e negras que já atuam na companhia, como forma de contribuir para que eles ascendam à liderança.

Beto Freitas foi morto na noite de 19 de novembro de 2020, véspera do Dia da Consciência Negra no Brasil, após ser espancado por dois seguranças do hipermercado Carrefour localizado na zona norte de Porto Alegre. A morte foi filmada e divulgada nas redes sociais, causando revolta e acusações de racismo contra os seguranças Magno Braz Borges e Giovane Gaspar. Além deles, também estava envolvida no crime, segundo a polícia, a fiscal do Carrefour Adriana Alves Dutra.


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