* Com informações de Renato Oliveira
O primeiro julgamento relativo aos processos da tragédia da boate Kiss, ocorrida em janeiro de 2013 e que causou 242 mortes, começou nesta terça-feira no auditório da Justiça Militar em Santa Maria, na região central do Estado. A juíza Viviane de Freitas Pereira é quem coordena os trabalhos. As audiências envolvem oito bombeiros denunciados na Justiça Militar por supostos crimes como prevaricação e descumprimento de lei, regulamento ou instrução.
Serão julgados o ex-comandante do 4º Comando Regional dos Bombeiros Moisés da Silva Fuchs, o tenente-coronel da reserva Daniel da Silva Adriano, que era comandante da Secção de Prevenção a Incêndio quando ocorreu a concessão do primeiro alvará para a boate; e o capitão Alex da Rocha Camillo, que seria responsável por assinar o segundo documento.
Nesta quarta, será a vez dos soldados Gilson Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho, que teriam realizado a última vistoria na casa em 2011; Marcos Vinicius Lopes Bastide, que inspecionou a Kiss; e o sargento Renan Severo Berleze, que era da equipe de análise de Planos de Prevenção e Combate de Incêndio, além do aluno sargento Sergio Roberto de Andrades.
Nessa segunda-feira, foram distribuídas 37 senhas para interessados em acompanhar o julgamento. O Ministério Público vai sustentar a acusação e, em seguida, as defesas dos réus apresentarão os argumentos. O MP terá tempo para réplica e os defensores, para tréplica. Na quarta, será anunciado o veredicto e, se for o caso, a sentença.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Começa primeiro julgamento do caso Kiss
Audiências envolvem oito bombeiros denunciados após tragédia em Santa Maria