*Com informações do repórter Eduardo Paganella
A justiça aceitou o ex-sócio da boate Kiss Elissandro Spohr, o Kiko, como testemunha de defesa do presidente do movimento Do Luto à Luta, Flávio Silva, em uma ação que envolve o Ministério Público (MP). A associação dos familiares das vítimas da tragédia são processados pelo promotor Ricardo Lozza por calúnia e difamação.
Em setembro do ano passado, Ricardo Lozza entrou com uma ação contra familiares das vítimas da Kiss que espalharam cartazes em uma das audiências do caso afirmando que o promotor teria permitido que a casa noturna seguisse funcionando sem todos os requisitos necessário em 2011, dois antes do incêndio que vitimou 242 pessoas em Santa Maria.
Flávio Silva destacou que Kiko Spohr foi chamado porque é testemunha chave nesse processo. “O Kiko foi quem acordou o termo de agenciamento de conduta com o promotor informando que a casa estava com o alvará vencido. Ele foi chamado porque é testemunha chave no processo e pode comprovar que o MP sabia das irregularidades na boate”, afirmou à Ràdio Guaíba.
Tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Ex-sócio da Kiss será testemunha de defesa de pai de vítima da tragédia
Associação dos familiares é processada por promotor por calúnia e difamação