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Juiz vai pedir "reconstituição virtual" de tragédia na boate Kiss

Depoimentos sobre o caso foram retomados em Santa Maria

Após os depoimentos desta quinta-feira no Fórum de Santa Maria, o titular da 1ª Vara Criminal da cidade, Ulysses Fonseca Louzada, responsável pelo processo criminal sobre a tragédia na boate Kiss, manifestou que vai pedir uma “reconstituição virtual” do incêndio na casa noturna, que causou a morte de 242 pessoas. O magistrado pretende pedir auxílio a uma equipe da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Três pessoas foram ouvidas. Um dos depoimentos mais aguardados era de Nathália Soccal Daronch, namorada de Elissando Spohr – conhecido como Kiko -, um dos sócios da Kiss e réu no processo. Ela não compareceu e só deve prestar depoimento em Porto Alegre, onde mora atualmente.

Mais cedo, a ex-funcionária da boate Kiss Michele Baptista da Rocha Schneid, confirmou que a superlotação na casa noturna era "constante". A mulher trabalhava no estabelecimento há três meses antes da tragédia. Antes, depôs mais um frequentador do local que sobreviveu ao incêndio, Rodrigo Souza da Silveira. Ele relatou que, a exemplo do que contou a maioria das testemunhas, quando o tumulto começou, pensou que se tratava de uma briga.

Ainda ocorrerão oitivas nos dias 10,11,12 e 19; 24, 25, 26 e 27 de setembro. No total devem ser ouvidos 52 sobreviventes. Familiares das vítimas da tragédia de Santa Maria e integrantes da Associação dos Familiares de Vitimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria acompanharam os depoimentos. Algumas vítimas serão ouvidas, neste mês, por cartas precatórias nos municípios de Horizontina, Passo Fundo, Quaraí, Rosário do Sul e Uruguaiana.

Os quatro réus – dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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