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MP afirma que haverá divergências com a Polícia Civil sobre tragédia

Promotores apresentam resultado da análise sobre inquérito da boate Kiss

Denunciados sobre tragédia na boate Kiss serão conhecidos hoje
Denunciados sobre tragédia na boate Kiss serão conhecidos hoje Foto : Vinícius Roratto
O Ministério Público (MP) confirmou no início da tarde desta terça-feira que haverá divergências com a Polícia Civil sobre o inquérito que apurou o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, ocorrido na madrugada do dia 27 de janeiro. “As divergências são consequências naturais das atividades”, ponderou o subprocurador-geral de assuntos institucionais do MP, Marcelo Dornelles, ao falar sobre a denúncia elaborada pelo órgão.

Os resultados da análise do inquérito policial sobre a tragédia, um vasto documento com cerca de 13 mil páginas, são apresentados pelos promotores de Justiça Criminais Joel Dutra e Maurício Trevisan, com a presença de Marcelo Dornelles e o coordenador do Centro de Apoio Criminal do Ministério Público, David Medina da Silva na sede do órgão no município. Depois, os documentos serão remetidos ao juiz Ulysses Lousada, que atua na 1ª Vara Criminal de Santa Maria.

No dia 22 de março, a Polícia Civil responsabilizou 28 pessoas, direta ou indiretamente, pelo incêndio na boate Kiss. Dessas, 16 foram indiciadas criminalmente. O inquérito também relacionou outras 12 pessoas, como outros bombeiros, secretários municipais e o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), por indícios de prática de crimes ou irregularidades. Eventuais processos contra elas, no entanto, correrão em foro específico - no caso do prefeito, a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. Exames do Instituto Geral de Perícia (IGP) confirmaram que as 241 mortes ocorreram por asfixia, em função da inalação de dióxido de carbono com cianeto.

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