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MP analisa denúncias contra Carris

Sindicato dos Rodoviários acusa a compra de um veículo utilitário pela empresa por meio de um processo licitatório viciado

O Ministério Público analisará a documentação recebida nesta quinta-feira contendo denúncias de supostas irregularidades administrativas na empresa de transporte coletivo Carris. O requerimento solicitando a análise foi entregue pela vereadora Maria Celeste ao promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, Cesar Luis Faccioli.

Com a solicitação, foi entregue cópia de documentos do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre e um áudio que trata da conversa entre o ex-diretor da Carris, Antônio Lorenzi, com a direção do sindicato sobre as supostas irregularidades. O sindicato denuncia a compra de um veículo utilitário pela Carris por meio de um processo licitatório viciado, com edital de convocação dirigido à contratação de uma determinada empresa pertencente a uma família de amigos de Lorenzi. O documento cita ainda o fato da sede social dos funcionários da Carris ter sido construída sem o devido processo licitatório.

 Faccioli afirmou que designará um promotor nesta sexta-feira para ficar responsável pela abertura de um expediente investigatório. Caso sejam comprovadas as denúncias, o ex-diretor da Carris responderá por peculato e improbidade administrativa. À tarde, Maria Celeste protocolou na Câmara Municipal, pedido de informação ao prefeito da Capital, José Fortunati, para saber se o Executivo tinha conhecimento das supostas irregularidades.

 No cargo de Lorenzi deste o dia 30 de abril, o atual diretor da Carris, João Antônio Pancinha, se disse surpreso com as suspeitas de irregularidade. "Não tenho conhecimento desses fatos", afirmou Pancinha, que deixou o mandado de vereador no dia 29 de abril. "Uma vez que o Ministério Público entre em contato com a Carris, prestaremos todas as informações solicitadas de forma transparente", garantiu Pancinha.

 O ex-diretor Antônio Lorenzi afirmou que ouviu falar que uma conversa sua com dois integrantes da direção do sindicato tinha sido gravada, mas negou as acusações de irregularidades durante sua gestão de cinco anos e quatro meses à frente da Carris. "Durante todo este tempo, as contas da Carris, que tem um orçamento de R$ 140 milhões por ano, foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, inclusive as de 2008 não tiveram nenhuma observação do tribunal", enfatizou.

Segundo ele, no relatório preliminar do TCE, o órgão fez apenas duas observações que ele já respondeu: sobre o fato das ambulâncias do Samu abastecerem à noite na Carris, e o fato da empresa ter reformado duas viaturas da Brigada Militar ao custo total de R$ 2.970,00. "Um destes integrantes do sindicato é um mau funcionário da Carris, que demiti em 2009, mas foi reintegrado pela Justiça do Trabalho, mas a empresa está recorrendo da decisão", concluiu.

O funcionário citado por Lorenzi é o diretor do sindicato, Luís Eduardo Sirângelo. No áudio gravado e entregue ao MP, ele estaria acompanhado de Nelto Gabriel Massoco, também funcionário e da direção do sindicato, que em 2009, denunciou na Câmara Municipal supostos casos de assédio moral por parte da direção da empresa.