A Justiça continuará ouvindo nesta quarta-feira os depoimentos dos réus do processo criminal que investiga o incêndio na boate Kiss, em janeiro de 2013, que acarretou na morte de 242 pessoas e em 600 feridos. As oitivas terão continuidade a partir das 13h30min, no Salão do Júri do Fórum de Santa Maria, na região Central do Estado. Hoje será ouvido o produtor de palco da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão. Ontem o vocalista da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, prestou depoimento.
Os depoimentos estão sendo coordenados pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada. Segundo o Ministério Público, Luciano Bonilha foi quem adquiriu o artefato pirotécnico e entregou a Santos durante a apresentação musical que provocou o incêndio.
Nos dias 2 e 3 de dezembro, devem falar os ex-sócios da boate: Elissandro Spohr, o Kiko, será ouvido em Santa Maria, e Mauro Hoffmann, prestará depoimento no Fórum de Porto Alegre. Após os depoimentos dos réus, o juiz receberá alegações finais dos defensores e acusações. Depois decidirá se os acusados irão a Júri Popular.
Os quatro réus são acusados por homicidio com dolo eventual - quando a pessoa assume o risco de matar -, qualificado (por asfixia, incêndio e motivo torpe) pelas mortes e pela tentativa de homicidio. Os reús - que foram presos no final de janeiro e início de março de 2013 - foram libertados no dia 23 de maio do mesmo ano.
O processo se encontra na fase final de instrução. Foram ouvidas mais de 180 pessoas, entre sobreviventes, testemunhas e peritos. Após os depoimentos dos réus, o juiz receberá as alegações finais das defesas e acusações e irá decidir se os quatro acusados irão a Júri popular.
Tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Produtor de banda será ouvido sobre caso Kiss em Santa Maria
Depoimentos de réus terão prosseguimento à tarde