Conforme a ex-funcionária, havia superlotação na casa noturna. "Mais de 700 pessoas estavam na boate", relatou ela ao magistrado. A mulher trabalhava na portaria do estabelecimento há cerca de um ano e meio antes do fogo.
Estão previstos outros quatro depoimentos nesta terça-feira. Outro segurança da casa noturna, Daniel Alcântara da Cruz, dois frequentadores da boate Kiss e Willian Renato Machado, sobrinho de um dos sócios e réus no caso, Elissando Spohr - conhecido como Kiko.
Ainda ocorrerão oitivas nos dias 11, 12 e 19; 24, 25, 26 e 27 de setembro. No total devem ser ouvidos 52 sobreviventes. Algumas vítimas serão ouvidas, neste mês, por cartas precatórias nos municípios de Horizontina, Passo Fundo, Quaraí, Rosário do Sul e Uruguaiana.
Os quatro réus – Kiko e Mauro Hoffmann - outro sócio da casa noturna -, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.