O Banco Central do Paraguai (BCP) informou neste sábado (7) que já devolveu dinheiro a 64% das 1,87 milhão de contas com saldo no Ueno Bank, banco digital sob intervenção desde terça-feira (3). Outras 669.336 contas ainda aguardam a restituição. A partir de segunda-feira (9), o BC pretende pagar também clientes que tinham dívidas com a instituição, descontando antes os valores vencidos.
As devoluções somam 994,6 bilhões de guaranis, cerca de US$ 158 milhões. Segundo informações divulgadas pelo governo paraguaio, o presidente interino do BCP, Pedro Acosta, informou que o total de 1.867.531 contas já exclui aquelas sem saldo. "Já pagamos um primeiro lote de 722 mil contas e ontem pagamos o segundo, de 475 mil. Restariam agora 669.336 contas", afirmou.
Os primeiros pagamentos contemplaram clientes que não tinham empréstimos, dívidas de cartão de crédito ou outras obrigações com o Ueno e que possuíam ou abriram conta em outra instituição financeira. Parte deles, porém, ficou de fora por causa de bloqueios. "Se, por alguma razão, uma pessoa cumpria essas condições e não recebeu, é porque havia algum impedimento, algum bloqueio na conta", explicou o gerente de Análise e Regulação do BCP, Julio Cristaldo. A previsão é incluir esses casos nos pagamentos de segunda-feira (9) ou, no máximo, terça-feira (10).
Para os clientes com dívidas, a legislação paraguaia determina o desconto dos valores vencidos antes da devolução. Assim, quem tinha 5 milhões de guaranis na conta e devia 2 milhões em parcelas atrasadas receberia os 3 milhões restantes. O BCP trabalha durante o fim de semana para preparar essa nova etapa. Os pagamentos serão feitos em guaranis, inclusive para contas originalmente mantidas em dólar.
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Os pagamentos saem do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), que protege o dinheiro dos clientes quando um banco não consegue cumprir suas obrigações. O fundo tem cerca de US$ 1,663 bilhão, dos quais 9,5% já foram utilizados, segundo o BCP. A garantia cobre até 75 salários mínimos paraguaios, equivalentes a 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 201 mil), por cliente. Valores acima desse limite dependem da recuperação de recursos na liquidação do banco, sem prazo definido.
Acosta afirmou que bancos e financeiras continuarão realizando pagamentos durante o fim de semana, inclusive permitindo saques em dinheiro nas agências. "As agências estão habilitadas hoje e amanhã, e seria bom que consultassem as páginas dessas instituições", disse. A partir de quinta-feira (12), o BC começará a analisar, por ordem de chegada, as solicitações individuais de quem ainda não recebeu.
A crise do Ueno, que tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, ultrapassou o setor financeiro. O banco sofreu intervenção após a queda de seu índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido. Na sexta-feira (6), o Senado destituiu o presidente Santiago Peña em processo de impeachment ligado ao colapso da instituição. O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o governo. Peña, que teve participação na empresa controladora do Ueno até 2025, foi colocado em prisão domiciliar e nega irregularidades.
O fechamento também afetou aposentados. Cerca de 32 mil beneficiários que recebiam pelo Ueno estão sendo transferidos para outros oito bancos, segundo o Instituto de Previdência Social (IPS). O pagamento das aposentadorias e do benefício anual complementar segue previsto para 17 de novembro.