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Iranianos comemoram derrota de Trump nas eleições de meio de mandato

Manifestação também exigia vingança pelo assassinato do aiatolá Ali Khamenei

Iranianos comemoram derrota de Trump nas eleições de meio de mandato
Iranianos comemoram derrota de Trump nas eleições de meio de mandato Foto : Atta Kenare / AFP

Milhares de iranianos celebraram, nesta quarta-feira (4), em frente à antiga embaixada dos Estados Unidos em Teerã, a derrota contundente do Partido Republicano de Donald Trump nas eleições legislativas, atribuída em parte à guerra com o Irã, e que coincidiu com uma manifestação anual antiamericana.

Os slogans "Morte aos Estados Unidos!" e "Morte a Israel!" ecoaram no centro de Teerã enquanto manifestantes agitavam bandeiras iranianas e carregavam faixas contra estas duas nações.

Um cartaz mostrava Trump como um buldogue manchado de sangue preso por uma coleira segurada por uma figura diabólica que se assemelhava ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Outras exigiam vingança pelo assassinato do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques americanos e israelenses que desencadearam a guerra regional no fim de fevereiro.

Um telão gigantesco sobre a multidão declarava: "O povo do Irã fixa o preço", simbolizando a alta dos preços da energia desde que a guerra eclodiu e o Irã afirmou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital.

"Os Estados Unidos nos atormentam há anos, mas não conseguiram fazer nada contra o Irã", disse Mahmudkhani, de 40 anos, que participou da concentração que, anualmente, comemora a tomada da embaixada em 1979 e a crise dos reféns.

A manifestação ocorreu um dia após a esmagadora derrota de Trump nas eleições legislativas de meio de mandato, amplamente consideradas um referendo sobre seu segundo mandato, no qual a frustração com o custo de vida, as tarifas e o conflito com o Irã desempenharam um papel crucial.

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"Não estamos satisfeitos com o aumento dos preços do petróleo", disse Mahmudkhani, que forneceu apenas o sobrenome. Contudo, "há certa satisfação em saber que já não vivemos esse tormento sozinhos", acrescentou.

Majid Heidari, um produtor de tecidos de 62 anos, afirmou que os preços do petróleo haviam "impactado o voto dos americanos". "Quando a Europa e os Estados Unidos se unem contra nós, temos que usar nossa ferramenta", disse, em referência ao fechamento de Ormuz.

Para Mohamad, um funcionário público de 42 anos, "não há diferença" para os iranianos. "A postura do governo americano em relação ao povo iraniano infelizmente permaneceu a mesma nos últimos 50 anos".

O principal negociador iraniano nos diálogos com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse, por sua vez, que os americanos votaram "Não à guerra" nas eleições legislativas.

Os esforços liderados por Catar e Paquistão para negociar um acordo entre Teerã e Washington estão estagnados, com ataques ocasionais em meio ao temor de uma retomada do conflito em grande escala.

A manifestação anual comemora o ataque à embaixada dos EUA em Teerã em novembro de 1979, meses após a Revolução Islâmica que derrubou o xá apoiado pelos Estados Unidos, Mohammad Reza Pahlavi.