A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciou nesta terça-feira o envio de 500 soldados a Milão até o fim do ano, após os saques e confrontos ocorridos no fim de semana entre a polícia e manifestantes. Meloni declarou, em um vídeo divulgado no X, que uma reunião de gabinete aprovou medidas para facilitar a detenção de menores, impor multas aos seus pais por quaisquer danos causados e tipificar o crime como "participação violenta em uma manifestação".
"Protestar é um direito. Destruir nossas cidades, não", escreveu no X. Centenas de manifestantes foram detidos durante dois dias de distúrbios em Milão, no sábado e no domingo, e dezenas de agentes ficaram feridos. Várias lojas de luxo na capital da moda italiana foram saqueadas.
Manifestare è un diritto, devastare le nostre città no. Ecco le misure che abbiamo approvato per contrastare la violenza e tutelare la sicurezza dei cittadini. pic.twitter.com/kqk51X8YZa
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) October 20, 2026
- Entenda a onda de manifestações que se espalha pela Europa
- França começa a julgar detidos em distúrbios e anuncia novos toques de recolher
- Confrontos na Itália após protesto contra o custo de vida
Repercussão e próximas ações
Alguns estabelecimentos comerciais permaneceram fechados, retiraram artigos de suas vitrines ou reforçaram as medidas de segurança. Novas manifestações estão previstas para o fim de semana. No entanto, a mídia italiana informou que o conselho de gabinete não aprovou a concessão de poderes policiais a soldados, como se esperava, devido à oposição do presidente Sergio Mattarella.
Meloni enfrenta eleições no próximo ano e espera-se que a economia, a segurança e a imigração sejam os temas centrais da campanha. Antes da reunião, o vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, classificou os distúrbios como "vergonhosos". A primeira-ministra afirmou, no sábado, que os responsáveis pelos atos violentos são "vândalos que aproveitam as manifestações para semear o caos, atacar aqueles que garantem a segurança e fazer cidades inteiras de reféns".
Estudantes do ensino médio e universitários, agricultores e caminhoneiros lideram protestos em todo o país, principalmente contra o aumento do custo de vida.
Ondas de protestos pela Europa
A Itália não é o único país europeu que vem passando por protestos. Ao longo do mês de outubro, mobilizações de estudantes do ensino médio contra a falta de professores e as condições precárias das escolas na França se transformou em uma onda de protestos que agora atravessa o continente. Países como Bélgica, Portugal, Espanha e Albânia também estão tendo mobilizações nacionais. Apesar das diferenças entre os países, os protestos revelam um descontentamento que vai além de uma única reivindicação.