O líder do grupo pró-Irã Hezbollah, Naim Qasem, condenou neste sábado, 27, o acordo-quadro entre os Estados Unidos, Israel e Líbano, classificando-o como um "grave erro" por parte de Beirute, a ponto de o movimento considerá-lo nulo e sem efeito.
"O acordo em Washington [entre Israel e Líbano] é humilhante, vergonhoso e uma rendição de soberania. Este acordo é nulo e sem efeito, e as disposições do memorando de entendimento Irã-Estados Unidos devem ser aplicadas", disse Qasem em um comunicado, acusando as autoridades libanesas de "legitimar" a ocupação israelense.
Legitimação da ocupação
Qasem pediu ao governo que se arrependesse de "seus pecados, que estão arruinando o Líbano". Na visão de Qasem, o Líbano "legitimou" a ocupação israelense "por muitos anos", o que "poderia até levar à anexação dessas terras". O Hezbollah rejeita firmemente as negociações diretas entre o Líbano e Israel, que estão em andamento desde abril.
O cessar-fogo de 17 de abril não conseguiu interromper os combates entre Israel e o Hezbollah, mas a violência diminuiu desde que os Estados Unidos e o Irã assinaram um memorando de entendimento na semana passada. O Irã insiste que qualquer acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio deve incluir o Líbano. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou o acordo com Israel como "um primeiro passo" para restaurar a soberania de seu país.
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O acordo estabelece um processo durante o qual as forças armadas libanesas devem "restabelecer a autoridade soberana efetiva sobre todo o território libanês, até que o desarmamento dos grupos armados não estatais seja verificado".
Pouco depois do anúncio do pacto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que as forças de seu país permaneceriam no território libanês ocupado "até que o Hezbollah se desarme".
Repercussão internacional
Neste sábado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a assinatura do acordo. "É um passo crucial para evitar a escalada. Pois não pode haver paz no Oriente Médio com o Líbano em chamas", observou ela na rede social X. "O próximo passo fundamental é o desarmamento de grupos não estatais e a preservação da soberania e da integridade territorial do Líbano", acrescentou.