A chefe de gabinete de Donald Trump, Susie Wiles, afirmou que o presidente dos Estados Unidos tem "a personalidade de um alcoólatra", em um artigo publicado nesta terça-feira (16) pela Vanity Fair, rapidamente desqualificado e chamado de "difamatório" por ela.
Segundo essa colaboradora próxima de Trump, o republicano, embora não beba uma gota de álcool, "age com a convicção de que não há nada que ele não possa fazer. Nada, zero, nada".
Wiles diz ser "uma espécie de especialista" no tema, em alusão ao pai, um famoso jogador de futebol americano e comentarista esportivo que lutou contra um alcoolismo severo.
Trump, de 79 anos, é abstêmio. Seu irmão Fred era alcoólatra e morreu de infarto aos 42 anos.
Figura crucial na campanha eleitoral e agora no coração do governo, Wiles concedeu várias entrevistas à revista americana, que servem como fio condutor de um extenso artigo dedicado ao círculo íntimo do presidente.
A funcionária de 68 anos, a quem Trump chamou de "dama de gelo" por seu sangue-frio, dá sua opinião, nem sempre lisonjeira, sobre várias figuras políticas. Mas são seus comentários sobre o presidente que causaram alvoroço.
Em resposta à publicação desta terça-feira, Wiles denunciou no X "um ataque difamatório, manipulado e mal-intencionado" contra ela e "o melhor presidente, equipe da Casa Branca e gabinete da história".
The article published early this morning is a disingenuously framed hit piece on me and the finest President, White House staff, and Cabinet in history.
— Susie Wiles (@SusieWiles) December 16, 2025
Significant context was disregarded and much of what I, and others, said about the team and the President was left out of the…
"Foi ignorado um contexto significativo e grande parte do que eu, e outros, dissemos", escreveu, acusando a Vanity Fair de tentar "apresentar uma versão caótica e negativa sobre o presidente" e sua equipe.
Trump, por sua vez, disse ao New York Post que Wiles tinha razão ao descrevê-lo assim, mesmo que não consuma álcool. "Veja bem, eu não bebo. Todo mundo sabe disso. Mas eu já disse várias vezes que, se bebesse, teria grandes chances de me tornar alcoólatra. Já disse isso muitas vezes sobre mim mesmo, sim", afirmou.
"Nunca a vi ser desleal", declarou o vice-presidente J.D. Vance durante um comício na Pensilvânia. "Ela é exatamente a mesma pessoa, esteja o presidente presente ou não."
No entanto, ele reconheceu que existiam algumas "divergências" entre eles.
Vingança, Epstein e 2028
A Vanity Fair afirmou que Wiles ofereceu perspectivas reveladoras sobre as políticas de Trump em questões-chave, tanto no âmbito interno quanto no externo.
Sobre a Ucrânia, Wiles apontou que Trump acredita que o presidente russo Vladimir Putin "quer todo o país", apesar dos esforços de Washington por um acordo de paz.
Também afirmou que Trump não tem intenção de voltar a ser candidato em 2028, algo proibido pela Constituição, mas que menciona o tema com frequência porque "se diverte" e "deixa as pessoas enlouquecidas".
A chefe de gabinete criticou a procuradora-geral Pam Bondi por sua gestão do caso de Jeffrey Epstein, um criminoso sexual com quem Trump manteve estreitos vínculos no passado.
"Ela errou completamente ao julgar que isso só interessava a um grupo muito específico de pessoas", disse Wiles, quando muitos apoiadores de Trump exigem mais transparência nesse assunto.
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'Conspiracionista'
Wiles elogiou uma "equipe essencial", formada por Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o subchefe de gabinete Stephen Miller.
Disse, no entanto, que Vance foi "um conspiracionista durante uma década" e classificou sua mudança de opositor declarado de Trump – a quem um dia comparou a Adolf Hitler – para seguidor leal como "algo político".
Além disso, qualificou Russ Vought, chefe do Escritório de Orçamento da Casa Branca, como um "absoluto fanático da direita", segundo a Vanity Fair.
Na série de entrevistas, Wiles negou ser "cúmplice" de Trump, que tem exibido um poder presidencial sem precedentes desde o seu retorno ao poder em janeiro, e acrescentou: "Também não sou uma cadela."
Mas foi contundente sobre o papel do dono da SpaceX e da Tesla, Elon Musk, como titular do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), encarregado de cortes de gastos nos primeiros meses do segundo mandato do republicano.
Wiles descreveu Musk como um "esquisitão" e um consumidor "confesso" de cetamina, e criticou o fechamento, por parte do DOGE, da agência americana de ajuda internacional USAID.
"Nenhuma pessoa racional poderia achar que o processo da USAID foi bom. Ninguém", afirmou, de acordo com a revista.