A Comissão Europeia instou neste domingo (22) os Estados Unidos a cumprir os termos do acordo comercial alcançado no ano passado com a UE, depois que Donald Trump anunciou novas tarifas globais em resposta à decisão da Suprema Corte.
'Um acordo é um acordo. Como principal parceiro comercial dos Estados Unidos, a UE espera que os Estados Unidos cumpram os compromissos estabelecidos na Declaração Conjunta, assim como a UE mantém os seus', declarou a comissão em um comunicado.
Também exigiu 'esclarecimentos sobre as medidas que os Estados Unidos planejam adotar' após a decisão da Suprema Corte.
Na sexta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou que Trump excedeu sua autoridade ao impor uma série de tarifas que abalaram o comércio mundial. Como reação, o mandatário republicano anunciou no sábado o aumento da tarifa global de seu país de 10% a 15%, que entrará em vigor em 24 de fevereiro por um período de 150 dias, com isenções setoriais.
A decisão da Suprema Corte americana levanta uma enorme interrogação sobre o futuro do acordo comercial, quando o Parlamento Europeu, inicialmente contrário ao texto, preparava-se para dar sinal verde na terça-feira.
Esse acordo, assinado no ano passado, permitiu à UE limitar a 15% as tarifas aplicadas nos Estados Unidos à maioria de seus produtos, longe dos 30% que o presidente americano ameaçou impor.
- 'Caos tarifário' -
O eurodeputado social-democrata alemão Bernd Lange afirmou em sua conta no X que pedirá na segunda-feira 'a suspensão dos trabalhos legislativos até que disponhamos de uma avaliação jurídica apropriada e de compromissos claros dos Estados Unidos'.
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'É o caos tarifário total por parte da administração americana. Ninguém entende nada', acrescentou.
O representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, declarou neste domingo que os acordos comerciais de Washington com a União Europeia, China e outros países permanecem, apesar da decisão da Suprema Corte.
'Estamos mantendo conversas ativas com eles (nossos parceiros comerciais). Queremos que entendam que esses acordos serão bons. Temos a intenção de cumpri-los. Esperamos que nossos parceiros os cumpram', disse na manhã de domingo no programa 'Face the Nation', da CBS.
Na ABC, esclareceu que a reunião prevista para abril entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, não tinha como objetivo 'uma disputa comercial'.
'Trata-se de manter a estabilidade, garantir que respeitem sua parte do acordo e comprem produtos agrícolas americanos, Boeings e outros bens, e garantir que nos enviem as terras raras de que precisamos', explicou. 'Se houver áreas para um acordo mais amplo, nós as encontraremos'.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, declarou no mesmo programa que as consequências da decisão do alto tribunal ainda não estão claras.
'Espero que isso seja esclarecido', afirmou Lagarde.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu neste domingo a Donald Trump que trate todos os países em pé de igualdade.
'Quero dizer ao presidente Trump que não queremos uma guerra fria, queremos ter relações iguais com todos os países e receber deles também um tratamento igualitário', declarou Lula durante uma visita à Índia.