Polícia

“A sensação de estar viva é indescritível”, relata sobrevivente do acidente na BR 116

Onze pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas na colisão frontal

Foto : Angélica Silveira / Especial / CP

A dona de casa Arlete dos Santos Hoss, 64 anos, estava no ônibus que foi atingido por uma carreta no final da manhã do dia 2 de janeiro. O acidente ocorreu no quilômetro 491, da BR 116, em Pelotas, e deixou 11 mortos e 12 feridos.

Ela conta que estava sozinha. "Moro na localidade de Corrientes e peguei o ônibus para vir para casa. Fui atendida pelos médicos no local do acidente, pois estava com dor na perna e no ombro, mas me liberaram e disseram que se piorasse que procurasse um hospital, mas não foi necessário", relata.

Para Arlete, o pior que ficou foi o abalo psicológico. "No final de semana ainda escutava o barulho da batida, mas está passando", observa. Ela afirma que o local do acidente é próximo de um ponto de embarque e desembarque de passageiros. "Eu iria descer na segunda parada, após o posto, então estava pertinho da minha casa. Não tinham muitas pessoas no momento da colisão. Lembro que consegui sair pela janela, estava no meio do ônibus e consegui ver umas sete pessoas sentadas atrás de mim", lembra.

Ela conta que conhecia quatro pessoas que morreram no acidente, entre elas estão o motorista e o cobrador do ônibus. "Fiquei triste pelo que ocorreu com os outros, mas a sensação de estar viva é indescritível", enfatiza. No dia seguinte à colisão, Arlete teve que viajar na mesma linha. "A sensação foi estranha, porque eu preciso sair e dependo dessa linha de ônibus, tenho que seguir a vida", observa.

Investigação

A Polícia Civil segue aguardando os relatórios da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Instituto Geral de Perícias (IGP) para concluir a investigação. "Devemos finalizar entre hoje e amanhã o Laudo Pericial de Sinistro de Trânsito. Devido à complexidade do acidente e do número de vítimas está sendo elaborado em um prazo um pouco maior que o costumeiro", justifica o chefe da PRF, em Pelotas, Daniel Pitrez.

Ele confirmou que, pela análise do tacógrafo, a velocidade da carreta no momento da colisão seria em torno de 70 km/h, acima do que é permitido no trecho, que é de 40km/h. Quando estava sendo atendido, o motorista da carreta realizou o teste do etilômetro que confirmou que não estava alcoolizado. Durante o depoimento a Polícia Civil, ele disse que mexia no rádio quando ocorreu a colisão.

O IGP informou, por meio de nota, que devido à complexidade das análises realizadas, não há como precisar um prazo para a finalização do laudo. Tão logo o documento esteja concluído, será encaminhado à Polícia Civil.

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