O esquema bilionário arquitetado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) junto ao setor de combustíveis foi detalhado no final da manhã desta quinta-feira por autoridades. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a ofensiva, chamada de Carbono Oculto, conseguiu atingir o patamar mais alto do sistema criminoso. Haddad fez referência aos proprietários dos fundos de investimento.
"Esta é uma ação em âmbito nacional que descobriu um esquema de alta capilaridade, se olharmos do ponto de vista de distribuição. Além disso, o esquema é muito sofisticado sob o ponto de vista financeiro porque há muitas camadas até chegar o dinheiro do crime. É uma ofensiva exemplar porque conseguiu chegar na ‘cobertura’ do sistema criminoso”, explicou o ministro Fernando Haddad.
Em sua manifestação, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, explicou que durante a investigação foram encontradas empresas de fachada, contas bolsões, adulteração na venda de combustíveis e ações para coleta de dinheiro ilegal. "Cumprimos 14 mandados de prisão e cinco pessoas foram detidas no dia de hoje”, comentou.
Conforme Rodrigues, mais de 140 veículos foram apreendidos, além do sequestro de 192 imóveis e de duas embarcações. “A ação tinha como alvo 41 pessoas físicas, 255 pessoas jurídicas e bloqueou 21 fundos de investimentos”, acrescentou.
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Inimigos comuns
De acordo com as autoridades, a operação Carbono Oculto se comunicou com outras duas ofensivas, chamadas de Quasar e Tank. O enlace das ações se deu por conta dos alvos serem os mesmos. A investigação começou ainda em 2023, mas descobriu crimes que datam de 2020 e se estenderam até 2024.
A Operação Quasar teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras. A investigação identificou um esquema que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.
A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas. Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos.
Já a ofensiva chamada de Tank teve como foco o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
A estrutura criminosa utilizava diversas táticas para ocultar a origem dos recursos, como depósitos fracionados em espécie (que ultrapassaram R$ 594 milhões), uso de “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços. Além disso, o grupo é suspeito de se valer de brechas no Sistema Financeiro Nacional para realizar transações de forma anônima por meio de instituições de pagamento.