Após um desentendimento ocorrido na lancha que faz a travessia entre Rio Grande e São José do Norte, no início da tarde da última quarta-feira, um policial militar que estava de folga desferiu um tiro na perna de um médico. A Polícia Civil trata o caso como lesão corporal e conforme o advogado que representa o PM a ação ocorreu em legítima defesa, tese contestada pelo advogado Cícero Luiz dos Santos e Garcia, que representa o profissional de saúde.
Em nota, Garcia diz que a ação foi uma tentativa de homicídio e reclama de uma campanha de desinformação nas redes sociais com o objetivo de manipular a opinião pública. "Lamentavelmente, o assunto está sendo levado ao conhecimento da sociedade de forma deliberadamente distorcida, com um vídeo descontextualizado, com o claro objetivo de induzir a opinião pública ao erro, manchar a reputação de um médico e pai de família e, por fim, tentar inocentar o policial militar por seus atos criminosos", destaca a nota.
Garcia garante que possui documentos que mostram que, desde outubro, o PM tem atitudes excessivas, violentas e desproporcionais contra o médico. "Em nenhum momento, o PM agiu dentro dos protocolos ou procedimentos operacionais da Brigada Militar. Pelo contrário, sua conduta foi movida por vingança e descontrole, utilizando a arma do Estado para cometer um atentado. Não houve abordagem, verbalização técnica ou qualquer outra medida que se assemelhe a uma ação policial legítima", opina.
Ele lembra que no momento em que foi atingido pelo tiro, o médico estava desarmado e a uma distância superior a 2 metros do policial. "Atirar com uma arma de fogo nessas circunstâncias não é defesa, é excesso doloso e desproporcionalidade", afirma. Para Garcia, a reação do PM foi a de um agressor acuado, e não a de um agente da lei repelindo uma ameaça inexistente. "Mesmo de folga, ele é um PM, então se sentiu desacatado poderia ter dado voz de prisão ao médico e chamado reforço", explica.
Para o advogado, “o tiro foi o desfecho de uma perseguição sistemática e orquestrada, marcada por crimes de ameaça, coação e extorsão”. Ele assegura que, desde outubro, a Corregedoria- Geral da Brigada Militar investiga o PM. "Agora devido a esta atitude, a investigação tornou-se um Inquérito Policial Militar. A defesa do médico tem plena confiança de que as provas, em especial a filmagem do ato e os registros da perseguição pregressa, serão suficientes para que a Justiça prevaleça", conclui a nota. O médico recebeu alta hospitalar neste final de semana e se recupera em casa.
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